[Opinião] Candidatura inviável

Antes da vitória do Senhor Fernando Collor de Mello à presidência da República Federativa do Brasil, o sociólogo Gilberto Vasconcellos escrevera um livro com um título bastante sugestivo: Collor, a Cocaína dos Pobres:a nova cara da direita. A obra buscava fazer uma análise desprendida de paixões partidárias e apresentar o pragmatismo eleitoral que se avizinhava. Entre tantos relatos, o autor afirma categoricamente que a maneira viável para que a chamada esquerda brasileira saísse vitoriosa em outubro de 1989, era o Senhor Leonel de Moura Brizola encabeçar a chapa presidencial e o senhor Luiz Inácio Lula da Silva como o seu vice. Mas o autor alerta, que o PT por nenhuma hipótese abriria mão de ser o cabeça da chapa. Por conta da intransigência petista, Gilberto Vasconcelos afirma que Lula era o candidato mais fácil de ser derrotado em um eventual segundo turno. Felizmente, ou não, ele não errou. O segundo turno serviu para demonstrar a fragilidade eleitoral do PT, onde só obteve votações expressivas nos Estados em que Brizola foi vitorioso no primeiro turno. A saber: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Aquela euforia do “Lula lá, meu primeiro voto”, não passou de fogo de palha para o segundo turno. Na verdade, o candidato do PT era mais fácil ser derrotado em um segundo turno, por ser um partido que costumava criar dificuldades para fazer alianças e coligações. Geralmente, só entra em disputa como cacique, raramente aceita ser índio.

Com a chegada ao comando do Planalto central, o PT percebeu que era necessário buscar aliados e fazer algumas coligações. Ao que parece, a decisão não foi muito salutar ao velho discurso purista que acompanhava o partido desde os seus primórdios. Se o poder fascina o homem, uma parcela do PT pernambucano foi picado pela mosca azul e não deseja que seja encontrado algum antídoto para cura. Pelo contrário, se sentem bem com o quadro da doença.

Em nome de uma casuística aliança, há uma certa resistência para que o PT apresente um candidato à prefeitura da cidade do Recife e para justificar o motivo, o grupo já escalou um novo Carlos Átila. O porta voz afirmou ser necessário a manutenção da aliança com o PSB em Recife, para garantir um maior número no quadro de vereadores. Ora, se não haverá coligações proporcionais, como seria possível? Pelo contrário, os partidos precisarão de candidaturas majoritárias, para que a proporcional obtenha maior visibilidade. O porta voz falou, que a pré-candidata petista, não procurou trazer novos filiados. Engraçado, o grupo que controla a legenda o que mais faz é impedir o surgimento de novos líderes, para que não lhe façam sombras e assim continuem ditando as regras.

Outro argumento apresentado pelo porta voz do poder, é que o PSB une à Frente Popular. Será? Ou lhes garante a permanência nos quadros da prefeitura e do governo do estado? Em um dado momento, o porta voz paulista, afirmou que as duas gestões passadas do PT na prefeitura do Recife, mudou a face da cidade. Se for verdade, por qual motivo o último prefeito petista não disputou à reeleição? Pelo contrário, foi preterido de maneira nada republicana por aqueles que tinham o comando do partido e que entendem que continuar na Frente Popular garantirá o óbulo de alguns apadrinhados. Certo disse, o sociólogo Francisco Oliveira: “Tudo o que é sólido se desmancha em... cargos”. 

Hely Ferreira é cientista político