[Opinião] Empresários eleitorais

“Não alimente nada que não seja recíproco.” (Anônimo).

O jurista Hans Kelsen definiu os partidos políticos da seguinte maneira: “formações que agrupam os homens da mesma opinião para assegurar-lhes uma influência verdadeira na gestação dos assuntos políticos e públicos”.

No Brasil durante o período chamado de Primeira República que foi de 1889-1920, os chamados Clubes Republicanos se transformaram pelas cidades brasileiras em Partidos Republicanos estaduais. Foi assim que ocorreu a dominação entre dois partidos de um lado o PRP de São Paulo e do outro o PRM de Minas Gerais, alternando-se no poder e dominando o Congresso Nacional. Recebendo a alcunha de café com leite.

Durante os anos de 1945-1965, o Brasil teve treze partidos com representação no Congresso Nacional. Os maiores eram o PSD, PTB e UDN. Acontece que o pluripartidarismo em que vive o Brasil, vem demonstrando a fragilidade de boa parte das siglas partidárias, além do mandonismo por aqueles que são detentores do controle dos partidos. Na verdade, os partidos políticos do Brasil funcionam de maneira cartorial. Há aqueles em que suas decisões dependem exclusivamente do poder de barganha de quem o comanda. Em uma espécie de quem oferece mais. Comandar um partido político no Brasil é tão vantajoso como algumas entidades religiosas.

Coligações ou alianças são feitas entre agremiações partidárias que historicamente militam em campos antagônicos. Como o pragmatismo geralmente prevalece, o passado histórico é desconsiderado quando o que se encontra em jogo é a perpetuação ou a chegada ao poder e sua excelência o eleitor fica sempre em segundo plano, pois na visão dos donos do poder, o eleitor é apenas um detalhe, assim como o gol para um ex-treinador da seleção brasileira de futebol. Sendo assim, a importância do eleitor é  reconhecida apenas em ano eleitoral. Ao término do pleito, muitos extravasam com a frase do deputado Justo Veríssimo: “eu quero é que pobre se exploda”. Com o objetivo alcançado, não tem com o que se preocupar, pois sabe que em ano eleitoral, em alguns casos, uma tapinha nas costas, faz o eleitor se sentir importante e íntimo do candidato.

Hely Ferreira é cientista político.