Para especialistas, pré-candidatura de Patrícia Domingos fragmenta a oposição

A Delegada Patrícia Domingos (Podemos) confirmou na manhã desta terça-feira (04) que estará na disputa pela Prefeitura do Recife, em novembro. Em sua fala, ela garantiu que a decisão é irrevogável, mas fez questão de manter aberta a possibilidade de alianças com outros partidos e pré-candidatos da oposição, desde que esteja na cabeça da chapa. Para cientistas políticos ouvidos pela Folha de Pernambuco, a postulação da delegada divide os votos da Oposição e favorece a polarização entre os pré-candidatos e primos, João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT). 

Para Antonio Lucena, Patrícia Domingos ganhou notoriedade com a sua agenda de combate à corrupção e também por se apoiar no crescimento das “candidaturas de policiais”, mas a sua popularidade se dá, principalmente, por ser uma “outsider” da política tradicional. “Geralmente (o outsider) tem um baixo nível de rejeição porque não está dentro do desgaste político”, explica. No entanto, Lucena pondera que Patrícia pode fragmentar ainda mais a disputa no Recife e captar votos “de uma lado e de outro” porque o principal candidato, na análise dele, contra a deputada federal Marília Arraes (PT) e o deputado federal João Campos (PSB) seria o também deputado federal Daniel Coelho (Cidadania). 

Ainda de acordo com o especialista, com a postulação de Patrícia, a polarização entre Marília e João termina “ganhando” por não ter um adversário em que possa se unir todas as oposições. “Termina deixando Marília Arraes e João Campos em uma luta entre si, já que os outros candidatos dificilmente teriam condições de fazer frente a eles. Então, seria importante você tem um candidato único das oposições”.

Já a cientista política Priscila Lapa, ressalta que a pré-candidatura já era esperada e que Patrícia vem se movimentando para aumentar a sua visibilidade, mas que “para a grande massa” ela é uma candidata desconhecida. “É uma mulher, jovem, que tem experiência na gestão pública, é uma ‘cara’ menos tradicional, mas isso não é suficiente”, indica. Além disso, Lapa aponta que a postulação de Patrícia “divide os votos da oposição sem ser efetivamente uma candidata que tem favoritismo”. 

A especialista também aponta que Patrícia Domingos ficou muito conhecida na cidade pelo combate à corrupção e a agenda da segurança, mas que a maior parcela do eleitorado que defende essa bandeira, mais à direita, “de certa forma é alinhado com o presidente Bolsonaro” e que a sua identificação com o ex-ministro Sergio Moro pode atrapalhá-la. “Ela é conhecida no espaço público da cidade por essa questão. Só que agora Sérgio moro é um dos inimigos do governo bolsonaro. E aí uma parte do eleitorado bolsonarista não aprova mais esse alinhamento com Sérgio Moro. No eleitorado em que ela seria mais conhecida, ela precisa resolver essa questão da identidade. Se seria mais alinhada com Sérgio moro ou Bolsonaro”, complementa Priscila Lapa.