Seg, 08 de Junho

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Para João Paulo, João Campos antecipou-se na questão das chuvas

De acordo com o parlamentar, articulações caberiam à governadora Raquel Lyra e aos prefeitos

Para João Paulo, Campos se antecipou na questão das chuvasPara João Paulo, Campos se antecipou na questão das chuvas - Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco

O deputado estadual João Paulo (PT) avaliou que o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) se precipitou ao ter iniciado articulações para ajudar cidades atingidas pelas chuvas que caíram no estado na semana passada. Na visão do parlamentar, a atitude caberia à governadora Raquel Lyra (PSD) e a outras autoridades, e não a um político sem mandato. As declarações foram dadas em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM, na manhã desta terça-feira (5).

“Ele (João Campos) não estava investido de uma representação, que é a representação de quem está à frente, que é o prefeito, que é quem fala pela cidade. (...) E tem a governadora do estado, que fala pelo estado. (...) Eu acho que ele vem cometendo muitos erros, talvez pela ansiedade de assumir o governo do estado”, disse.

O ex-prefeito se antecipou à governadora e ligou para o presidente da Lula (PT), pedindo ajuda para os municípios atingidos pelos temporais. Também reuniu prefeitos e chegou a ir a Brasília. Por outro lado, a governadora decretou situação de emergência, destinou recursos e enviou máquinas para as cidades. Na segunda (4), ela recebeu o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e hoje seguiu para Brasília.

Conjuntura 
O deputado estadual avaliou a conjuntura política como favorável à candidatura de Lula à reeleição, embora pondere que a disputa será difícil. Voto vencido na decisão do PT estadual, que definiu o apoio do partido ao ex-prefeito e pré-candidato ao governo João Campos, João Paulo negou que o posicionamento era uma adesão ao projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra. Mas que, na verdade, tratava-se de defender a tese do palanque duplo para ajudar Lula num pleito adverso.

“O que é que eu defendi aqui? Que nós estamos vivendo um período eleitoral muito difícil e dividido e que o presidente Lula iria precisar dos votos da governadora e, se o prefeito fosse candidato, dos votos dele. Isso foi interpretado o tempo todo (como uma adesão a Raquel). Eu fui atacado e eu sou atacado até hoje como raquelista”, lembrou.

Diálogo
Na visão de João Paulo, o atual prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), deve buscar diálogo com o governo estadual. Ele citou a relação dele, quando era prefeito da cidade, com o ex-governador Jarbas Vasconcelos, como um exemplo a ser seguido. “Essa divergência política e eleitoral não pode ser trazida para a gestão. Quem assumiu (a prefeitura) tem que assumir um papel de estadista. Pensar, acima de tudo, na população mais pobre, que é quem constrói a riqueza dessa cidade e desse estado”.

Jorge Messias
João Paulo também comentou a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Na quarta-feira (29) da semana passada, o Senado barrou a indicação de Messias pelo presidente Lula com 42 votos contrários dos 81 senadores. A última negativa havia ocorrido há mais de 130 anos. O deputado considera que houve traições na Casa Alta: “Lealdade não é para todo mundo.”

“A derrota foi do povo brasileiro. Eu acho que Lula fez a melhor indicação para o país. Por isso, a importância da eleição de senadores, deputados federais e deputados estaduais (aliados do governo), para lá defender os interesses do povo, os interesses da manutenção da democracia”, afirmou.

Veja a entrevista na íntegra:

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