PLP 39: 'Mudanças vieram do próprio governo', relata Augusto Coutinho

Deputado federal Augusto Coutinho (SD), em entrevista à Rádio Folha. - Arthur Mota / Folha de Pernambuco

Um dia após a longa votação que aprovou na Câmara dos Deputados o texto-base do Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus (PLP 39/20 do Senado) - projeto de Lei que prevê ajuda de R$ 125 bilhões para os estados e municípios em virtude da pandemia da Covid-19 - o deputado federal Augusto Coutinho (SD), em entrevista à Rádio Folha (FM 96,7), nesta quarta-feira (6), repercutiu sobre como se deu a votação.

Numa sessão que durou das 11h30 à 0h, a proposta que recebeu 437 votos favoráveis e 34 contrários, substitui a versão aprovada em abril pela Câmara, prevendo o repasse de R$ 60 bilhões em quatro meses diretamente para os cofres dos estados e municípios, além de suspender as dívidas com o Governo Federal. O texto agora segue para o Senado, que pode aprovar a Lei para a sanção do presidente ainda esta semana.

"Não foi como imaginei que deveria ser, é uma matéria urgente, os estados e municípios estão precisando muito, estão muito necessitados", ponderou Augusto Coutinho. Segundo ele, apesar de sua legenda e a bancada pernambucana ter pactuado não apresentar emendas visando acelerar a aprovação do projeto, o próprio governo apresentou uma emenda, incluindo policiais e militares no texto, o que suscitou a apresentação de inúmeras outras emendas. "Essas mudanças vieram por parte do próprio governo, o que é engraçado. Isso mostra que o governo muitas vezes não tem um encaminhamento harmônico", pontuou.

"O fato é que nós sairíamos perdendo R$ 113 milhões, mas ontem, na votação da Câmara, um destaque que tinha essa memória de cálculo para dividir por estados foi mudado, então à rigor Pernambuco vai ganhar mais dinheiro, mas não sei se no Senado isso vai mudar", explicou Coutinho. "A pressão é muito grande. os estados estão bastante sobrecarregados e os municípios também precisando desse apoio. Tanto é que a nossa posição, mesmo Pernambuco sendo prejudicado em R$ 113 milhões era que a gente ia votar o projeto exatamente como veio do Senado. Mas o próprio governo fez uma emenda de redação para incluir os policiais e os militares no Projeto", lamentou.

Congelamento do salários dos servidores

Augusto Coutinho comentou seu voto favorável na proposta de congelar aumento de salários para os servidores federais. "O servidor público vive numa ilha de fantasia. Não adianta pensar que quando acabar o pico da pandemia vai ficar tudo bem. A economia vai sofrer muito. E como a gente pode pensar num momento desse de dar reajuste a servidor público? pelo amor de deus, isso é muita hipocrisia. Nada contra o servidor público que tem o meu respeito mas a gente precisa pensar na situação do país", comentou. "Todos nós temos que fazer sacrifício, inclusive nós políticos. Isso é o que tenho defendido", frisou.

"Por isso ontem votei e tenho sido criticado por servidores públicos. Eu lamento, não tenho intenção de fazer nenhum mal aos servidores, mas a situação é muito ruim e não dá pra pensar em aumento de servidor público num momento desse. Não pode a gente viver numa irrealidade", concluiu.

Ouça a entrevista:

Folha de Pernambuco · 06.05.20 - Folha Política com Augusto Coutinho SOLIDARIEDADE

Veja também

FDA permite armazenar vacinas anticovid da Pfizer a temperatura normal de congeladores
Vacina

FDA permite armazenar vacinas anticovid da Pfizer a temperatura normal de congeladores

Acompanhe o lance a lance do jogo do Sport contra o Athletico/PR
BRASILEIRO SÉRIE A

Acompanhe o lance a lance do jogo do Sport contra o Athletico/PR