Polarização reforçada e fato novo para 2022

Adecisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de confirmar a anulação das condenações do ex-presidente Lula (PT) na Operação Lava Jato é um grande fato político na corrida eleitoral de 2022, uma vez que valida a elegibilidade do petista e endossa a narrativa de uma reversão do processo político eleitoral de 2018. Na avaliação de parlamentares e especialistas, a volta de Lula que é, atualmente, o principal adversário do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), não só possibilita uma dor de cabeça ao chefe do Executivo, como pode inflamar uma polarização no País.

Ontem, o ex-presidente Lula comemorou o parecer e afirmou, em nota, que a decisão da Suprema Corte “restabelece a segurança jurídica e a credibilidade do Sistema de Justiça” do País. Também ressaltou que a "incompetência da Justiça Federal de Curitiba" foi afirmada por sua defesa desde 2016 e foi sendo sustentada até o processo chegar ao STF. 

Já Bolsonaro  usou sua live semanal para fazer comparações entre seu governo e o do petista."Se o Lula voltar pelo voto direto, pelo voto auditável, tudo bem. Agora, veja qual vai ser o futuro do Brasil com o tipo de gente que ele vai trazer para dentro da Presidência", disse Bolsonaro em transmissão na internet.O presidente ressaltou que o país não quebrou "no último ano" e que não quer se intitular "faxineiro do Brasil", mas alguém que vai resolver os problemas do país."Querem criticar meu governo, fiquem à vontade, mas puxem um pouquinho pela memória para ver como era no passado", disse.

A deputada federal Marília Arraes (PT) afirmou que o Partido dos Trabalhadores vai se colocar a serviço do projeto de Lula, agregando forças para derrotar Bolsonaro. No entanto, a volta do petista para a corrida eleitoral, na visão do deputado Ricardo Teobaldo (Podemos), pode trazer  consequências como a polarização no País.

Em reserva, um deputado federal pernambucano pontuou que até em 2022 muita coisa pode mudar no cenário político, uma vez que, está sendo instalada uma CPI contra o presidente Bolsonaro e que poderá resultar em um impeachment.

“No jogo de hoje o que tem de mais certo é uma polarização com Lula, que naturalmente é com Bolsonaro. Mas o processo daqui até lá, de alguma forma, pode mudar e ver quem irá polarizar com Lula. Mas com a decisão se consolida a presença de Lula na eleição”, disse o parlamentar. 

Análise

A volta de Lula na disputa pela presidência é algo que muda totalmente os cálculos eleitorais de todos os partidos envolvidos, inclusive, de Bolsonaro. Nessa linha, o estrategista eleitoral e mestre em Ciência Política pela USP, Vitor Diniz, explica que o petista não é o adversário ideal para Bolsonaro, além disso, Lula voltará com mais força no cenário político.”Isso não significa que ele sairá vencedor, mas obviamente ele volta sim, com muita força eleitoral”, afirmou. “Lula vai investir na tese que sempre foi inocente e que foi alvo de uma perseguição política”, completou.

O cientista político Antônio Lucena também avalia que o confronto com Lula não é positivo para Bolsonaro. “Para Bolsonaro, não é uma boa ideia concorrer com Lula porque ele ainda tem uma boa avaliação de uma parcela grande da sociedade que viveu o ciclo virtuoso da economia brasileira, da ascensão brasileira e isso ainda fica na memória. A gestão desastrosa da pandemia feita por Bolsonaro faz com que o voto dele migre para Lula ou outros candidatos”, avaliou.

Outro ponto que Lucena chama atenção é que a volta de Lula também gera problemas para outros possíveis candidatos. “Não faz sentido concorrer uma eleição sabendo que ela vai ser polarizada entre Lula e Bolsonaro porque grande medida isso vai ficar'', ressaltou.

Diante desse cenário, o cientista político Alex Ribeiro avalia que este é um “ótimo momento para Bolsonaro acenar para a classe política e evitar o confronto com outros poderes”. Já no entendimento da cientista política Priscila Lapa, a estratégia ótima para Bolsonaro é disputar com Lula para que haja polarização. “É nesse acirramento e na polarização que ele se fortalece diante dos seus apoiadores, mas por outro lado, estamos falando de um ator político que tem se mostrado eleitoralmente muito forte e viável. Então, definitivamente, ainda que seja importante para Bolsonaro essa polarização, tão pouco será fácil vencer no primeiro turno, vencer ainda no segundo turno, devido por esse potencial eleitoral que Lula tem.” 

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