Presidente estadual do PSB diz que PT não saiu da Frente Popular

Com a relação restaurada na eleição de 2018, o PT e o PSB passaram por uma nova crise e romperam relações na gestão do governador Paulo Câmara (PSB). A decisão foi anunciada pelo presidente do PT Pernambuco, deputado estadual Doriel Barros, que encaminhou nota à imprensa. A definição, no entanto, não significa que o PT vai desembarcar do arco de alianças da Frente Popular no Estado.

O texto assinado por Doriel explica que o partido está entregando os cargos que possui no Governo do Estado. Na divisão de espaços, o PT havia ficado com o comando da secretaria de Desenvolvimento Agrário, chefiada por Dilson Peixoto. No texto, Doriel faz questão de ressaltar a contribuição dada pelo partido ao Governo. 

Os petistas estiveram reunidos na noite da última quarta, em encontro virtual, para falar do tema. Segundo o presidente do PT, a decisão não foi tomada por conta de divergências administrativas, pois consideram que os "compromissos celebrados no programa de governo" de 2018 foram cumpridos. "É uma consequência política  do acirrado enfrentamento eleitoral municipal de 2020, especialmente no Recife, onde recebemos da campanha do PSB tratamento inaceitável, desrespeitoso e incompatível com o histórico de relacionamento de nível elevado entre nossas siglas", diz outro trecho da nota. 

O presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, reforçou o entendimento de que o partido entregou os cargos mas não desembarcou da Frente Popular. "Ele não saiu da Frente Popular. Ele saiu do governo em razão de uma discussão interna. O PT é um partido amplamente democrático nas suas discussões internas e foi um movimento que fizeram", amenizou. 

Mesmo que a justificativa apresentada pelo PT-PE tenha sido o tom carregado do então prefeiturável João Campos contra a candidata Marília Arraes (PT) e o seu partido, segundo Sileno Guedes, o deslocamento dos petistas da base não significa que num futuro próximo os dois partidos possam dividir o mesmo palanque eleitoral. "Pela carta, pela nota do presidente Doriel, foi um movimento muito mais voltado para o que aconteceu no ano passado do que para o futuro. Então eu acho que o fundamental é a gente ter a consciência de que as esquerdas no Brasil, sobretudo os partidos de esquerda tem a responsabilidade com os movimentos sociais", reforçou.

A reportagem procurou a deputada federal Marília Arraes, mas a parlamentar  não quis se manifestar. Já o senador Humberto Costa (PT), um dos principais articuladores da aliança entre PT e PSB em Pernambuco, se pronunciará hoje. O prefeito João Campos e o Palácio do Campos das Princesas, não vão comentar o caso.

Consequências

O deputado federal Carlos Veras (PT) afirmou que as relações das siglas não foi rompida definitivamente, mas reconheceu que a mudança pode afetar as alianças para as próximas eleições. O deputado afirmou que ainda não foi realizado o debate sobre a possibilidade do senador Humberto Costa concorrer ao cargo de governador em 2022. "Não fizemos esse debate ainda dentro do PT, mas sem dúvida nenhuma o nome do senador Humberto Costa, reúne as qualidades para ser um dos nomes cotados no PT para o governo do Estado", defendeu Veras, afirmando que também pode haver uma configuração diferente de candidatos nas próximas eleições.

A deputada estadual Teresa Leitão (PT), aliada de primeira hora da deputada Marília Arraes e historicamente oposicionista às gestões do PSB, comemorou a decisão do PT lançada nesta quinta. 

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