Presidente volta a ignorar Covid-19 e CPI. Passeio de moto repercute

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No Twitter, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou: "Dia das Mães: com motociclistas em Brasília (09/05/2021)" e em seguida complementou a mensagem mostrando um link para acessar as informações de um perfil presidencial em uma rede social de troca de mensagens. Neste domingo de dias das mães, a movimentação do presidente da República em ignorar, mais uma vez, as regras sanitárias e gerar aglomeração com centenas de motoqueiros em Brasília, repercutiu entre seus apoiadores nas redes sociais. 

Entre os aliados do chefe do Poder Executivo, pode-se citar Mário Farias, Secretário Especial de Cultura do Governo Federal, que escreveu: "Em frente Brasil!" ao compartilhar um vídeo do presidente por uma avenida de Brasília próxima a Esplanada dos Ministérios. Nas imagens é possível se ter uma dimensão do tamanho do passeio. Também são ouvidos buzinas. 

O Ministro Luis Eduardo Ramos, Ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, também compartilhou um vídeo. Neste, aparece o presidente Bolsonaro conversando sem máscara com os motociclistas. "A homenagem do nosso PR Jair Bolsonaro às mães foi do jeito que ele mais gosta: no meio do povo! Uma honra ter participado com minha amada esposa, mãe das minhas duas filhas, desse dia tão especial! Feliz dia das Mães", escreveu o auxiliar. 

A deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, também usou as redes sociais para comentar a movimentação. Gleisi criticou duramente a ação do presidente. "Mães não querem filhos morrendo de Covid, sentindo fome, desempregados! Bolsonaro com sua motocicletada aglomerativa e sem máscara, zomba das mães que sofrem com essa crise. Está preocupado em fazer marketing político para seus seguidores. Marketing da morte!".

Na avaliação da doutora em ciências políticas Priscila Lapa, a aglomeração causada por Bolsonaro com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada "tem repercussão para o comportamento das pessoas, ratifica essa postura das pessoas do "tô nem aí". É uma confirmação de que as escolhas individuais vêm acima do coletivo", explica a especialista.

Priscila confirma que esta nova movimentação do presidente ainda pode ter desdobramentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a gestão da pandemia da covid-19 no Brasil. "Ouvi uma entrevista de Renan (Calheiros) em que ele se diz impressionado porque é a primeira vez que ele vê alguém como alvo de uma CPI que não recua com o avançar dos fatos. Ele sente o caldo engrossar e não reduz o tom, pelo contrário. É espantoso e nos leva a crer que de fato nada o fará mudar de posição", afirma.

Já o cientista político e professor da UFPE, Arthur Leandro, avalia que o comportamento "negacionista" do presidente durante a pandemia já é conhecido, por isso, outros temas podem chamar mais a atenção dos senadores durante a investigação na Comissão. "Provavelmente não vai ter consequências na CPI basicamente porque não é um fato novo, não é um fato diferente daquilo que ele vem fazendo. Então pode ser mais um elemento utilizado nos pronunciamentos dos membros da comissão, dizer que ele foi irresponsável, que ele promoveu aglomeração mas ele já fez isso centenas de vezes até aqui. Pelo menos uma vez por semana ele fez algo desse tipo. Se tem dois anos de mandato, um ano de pandemia, ele fez isso, pelo menos, 50 vezes. Então não deve ter maior repercussão na CPI. Fatos que já estão sendo apurados, já tem posicionamentos dessa natureza, então não deve ter nenhuma consequência mais grave", disse.

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