"Eu não brigo pelo que já tenho, tenho o 13", afirma Marília Arraes

Marília Arraes (PT) - Foto: Ricardo Labastier

Entrevistada na manhã desta quinta-feira (1°), na série de sabatinas realizada pela Rádio Folha FM 96,7 com postulantes à Prefeitura do Recife, a deputada federal Marília Arraes, candidata pelo PT, se descolou das gestões do seu partido na Capital pernambucana, ressaltando que "os dois ex-prefeitos do PT" (João Paulo e João da Costa) estão apoiando João Campos, candidato do PSB, apesar de que, segundo ela, este tentar esconder o apoio. 

A afirmação ocorreu quando Marília foi questionada sobre o fato de não estar utilizando a cor vermelha, característica do Partido dos Trabalhadores, como cor predominante da sua campanha, ou a estrela do PT, um fato que tem sido levantado, sobretudo, pela ala petista contrária à sua candidatura. "Eu não vejo nenhuma outra candidatura usando símbolo do partido. Não vejo o PSB usar a pomba, nem Mendonça usar o DEM, nem a Delegada usar o Podemos, não acho que esse seja um debate importante para a cidade do Recife. Quem tá escondendo o PT é João Campos. Ele falou que as gestões do PT não foram boas, mas os dois ex-prefeitos do PT estão apoiando João Campos", afirmou Marília. "O ex-prefeito que geriu a cidade antes de Geraldo Julio, é o prefeito que hoje é vereador (João da Costa ) e está apoiando João", acrescentou Marília, enfatizando que João Campos também "tem escondido" o prefeito Geraldo Julio e o governador Paulo Câmara. "Eu não brigo pelo que já tenho, tenho o 13, tenho o apoio do presidente Lula", pontuou a candidata. 

Bolsonaro
Marília frisou que, caso eleita, o fato de ser oposição ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), não será um impedimento para que busque parcerias e investimentos para a cidade. "A relação institucional deve ser feita. É uma questão de responsabilidade, ter diálogo com o Governo Federal, buscar apoio. Não vemos o prefeito (Geraldo Julio) ir à Brasília bater na porta de ministros. Com a procura constante a gente consegue alguma coisa, tudo isso vamos fazer. A oposição que faço na tribuna da Câmara Federal é uma situação, na cadeira da Prefeitura não podemos fazer esse tipo de oposição, pois quem paga a conta é o povo do Recife", garantiu. 

Propostas
A candidata destacou que a primeira opção para enfrentar o problema do saneamento na cidade seria cobrar da Compesa uma atitude mais efetiva. "Independentemente de eu ser oposição ao governador Paulo Câmara, mas é necessário uma postura diferente da do prefeito Geraldo Julio que não tem articulação efetiva com outras instituições", disse. Ela destacou que "caso a Compesa não dê conta" vai avaliar outras alternativas, inclusive, a privatização do serviço. "Aqui no Recife é muito possível fazer um debate como esse, caso a Compesa continue sendo negligente na atuação do saneamento e do abastecimento de água", frisou. 

Marília ressaltou que a sua prioridade será "investir na atenção básica". "A Prefeitura, em vez de fazer o dever de casa, serviu de muleta para o atendimento do Governo do Estado que não é efetivo. Temos que reorganizar o sistema de emergência e atenção básica e utilizar recursos como a telemedicina", disse a candidata. Ela ainda destacou que pretende levar os medicamentos para as farmácias dos bairros que sejam credenciadas com a prefeitura. "É bom para as pessoas que terão os medicamentos e bom para a farmácia, fomentamos a economia local". A petista disse ainda que tem como meta a criação de três centros médicos de diagnóstico para a realização de exames, na Zona Norte, Zona Sul e entre as zonas Oeste e Noroeste. Sobre a saúde da mulher, Marília destacou que ela "não se resume a hospital". "O papel do município é investir em atenção básica, saúde primária, prevenção. Mulher que tem acesso a plano de saúde faz a sua prevenção, mas e a mulher que não tem acesso?", questionou, frisando ainda a importância da disponibilização de atendimento voltado para a saúde mental das mulheres. 

Para Marília, uma "arma na cintura da guarda municipal não vai resolver os problemas de segurança", no entanto, ela destaca que o armamento é algo que pode ser discutido. "Quem desarmou a guarda foi Geraldo Julio, eu não vejo polêmica em um guarda ter arma para proteger um patrimônio público", pontua. Ela, porém, frisa que seria necessário haver qualificação permanente da guarda, inicialmente por meio de um convênio com a academia da Polícia Militar, além de articulação com a Secretaria de Defesa Social, comércio, empresários e condomínios, com o objetivo de utilizar a Guarda Municipal nos serviços de inteligência. 

A questão do número de vagas das creches será um dos pontos principais entre as metas de Marília voltadas à educação. "Temos que priorizar as creches, elas impactam no desenvolvimento infantil, impactam na vida das mulheres que estão sobrecarregadas, que precisa pagar alguém para cuidar das crianças. As creches impactam na sociedade como um todo". Outro ponto que será enfrentado, de acordo com ela, é o cumprimento do plano de cargos e carreiras e a adequação do professores que são contratados por tempo determinado. "Eles têm uma relação precária de trabalho, não ganham igual, não ganham o piso", pontuou. 

Confira os próximos debates:

02/10 - Marco Aurélio (PRTB)
05/10 - Thiago Santos (UP)
06/10 - Cláudia Ribeiro (PSTU)
07/10 - Mendonça Filho (DEM)
08/10 - Carlos Andrade Lima (PSL)
09/10 - Patrícia Domingos (Podemos)