"Sem Túlio, é mais viável apoiar o PSB do que o PT", avalia Carlos Lupi

Túlio Gadelha e Carlos Lupi em entrevista à Radio Folha - Foto: Arquivo/Foha de Pernambuco

Presidente nacional do PDT, Carlos Lupi comentou, em entrevista à Folha de Pernambuco, sobre a formação de uma frente ampla contra o Governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e disse acreditar que chefe do Executivo não termina o seu mandato - sai em função de um processo de impeachment ou tem a chapa cassada por irregularidades na eleição em 2018. Além disso, Lupi criticou a postura do PT nessa articulação contra Bolsonaro. Já no cenário local, Lupi voltou a defender a candidatura majoritária do deputado federal Túlio Gadêlha, mas fez gestos ao PSB e ao deputado federal João Campos. Ainda de acordo com ele, no Recife, o PT está "há uma distância de quilômetros em possibilidade de apoio".

No cenário nacional, como o senhor analisa a condução do Governo Bolsonaro em meio à pandemia do novo coronavírus?

Eu penso que o Governo demonstrou uma associação entre incompetência e irresponsabilidade. Irresponsabilidade, a gente pode dar o exemplo por quando ele começou dizendo que era um gripezinha, andando sem máscara, incentivando a aglomeração de pessoas, abraçando quando todos os organismos mundiais de saúde e a medicina, a ciência está pedindo pra todo mundo se recolher. E incompetência porque já trocaram-se dois ministros da saúde, o governo não consegue unificar uma ação integrada de combate nos estados, o dinheiro não chega na ponta, quando chega já chega é atrasado. Então, para mim o governo está que nem um castelo de areia, está se destruindo por incompetência e irresponsabilidade. 


O presidente Jair Bolsonaro tem mais de 30 pedidos de impeachment protocolados, mas nenhum deles andou. O senhor ainda acredita na possibilidade do afastamento do presidente?

Acredito sim porque os crimes de responsabilidade então de acumulando. A cada momento ele está fazendo um novo tipo de crime. Ele a pouco incitou e provocou a ruptura dos poderes, o fechamento Supremo e do Congresso, toda hora ele ameaça com a volta de uma ditadura militar, tem dias que ele está calado… agressivo, raivoso. Motivos já foram dados. Dependem muito do presidente da câmara. Tem 37 pedidos e tem uma coisa também que é muito grave, que é o processo de Fake News da campanha. (...) Penso que dificilmente  Bolsonaro terminará o governo ou pelo processo de impeachment pelos crimes de responsabilidade ou pelos crimes do processo eleitoral.


Os partidos de esquerda sempre falam em unidade para enfrentar o Governo Bolsonaro, mas no período eleitoral a unidade sempre esbarra nos interesses de cada sigla. O senhor acredita na unidade da oposição no pleito deste ano ou cada legenda deve pensar por si?

Agora não é hora de pensar em processo eleitoral. Agora é o momento de defender saúde da nossa população. (...) E tem uma unidade que já está sendo alcançada, não só nas oposições, mas em todos os democratas do mundo para impedir a continuidade dessa escalada autoritária do Governo Bolsonaro.  Eu acho que nisso tem amplo segmento da sociedade, já tem praticamente 70% da população rejeitando o Governo Bolsonaro. Essa unidade já está feita. A questão do processo eleitoral é depois. É secundário quando em primeiro lugar tem que estar a vida. 


O ex-presidente Lula chegou a afirmar que é “impossível uma frente de partidos de esquerda contra Bolsonaro". O senhor concorda? 

Não concordo, eu acho que o ex-presidente, que eu tenho muito respeito e carinho, está errando muito nessas avaliações porque o retrato você está vendo em todas as pesquisas. A população começou a ver saber quem é Bolsonaro, começou a ver essas atitudes irracionais raivosas, antidemocráticas. Mesmo o PT, que no início não era favorável ao impeachment  já está favorável. O comentário do ex-presidente está dessintonizado do mundo real. 


A postura do PT atrapalha a unidade da oposição?

Nesse momento nós temos que colocar em segundo plano o projeto eleitoral. Agora é a saúde da população e o Brasil que estão em jogo. Todo o campo democrático, não só nós, chamados de centro-esquerda, mas todos os movimentos que querem garantir transparência e um governo sério para o povo brasileiro. 


Em março, o deputado federal Túlio Gadêlha apresentou prazos e condições (como a entrega de cargos na gestão Geraldo Julio até 12 de março) para concorrer à PCR. Essas demandas não foram atendidas. Túlio ainda vai concorrer?

Eu não trabalho com ameaças nem com intimidações. A mim, ele nunca fez nenhum tipo de ameaça ou intimidação. O Túlio hoje tem o comando do partido no Recife e ele só não será candidato se ele não quiser. Isso eu já disse publicamente. Agora com intimidação e ameaça eu não trabalho.  


Túlio, inclusive, afirmou à Folha que não considera a possibilidade de apoio ao PSB no Recife. Segundo ele, o PDT tem dialogado com outros partidos na Capital e estuda a possibilidade de candidatura própria. A aliança com o PSB está totalmente descartada no Recife?

Não, ao contrário. Nós temos aliança nacional com o PSB. Estamos apoiando Márcio França em São Paulo, eles estão caminhando para nos apoiar no Rio de Janeiro, conversas avançadas Rio Grande do Sul, nós temos conversas avançadas em várias capitais. E aí no Recife nós temos diálogo permanente. Eu, pessoalmente, tenho um apreço pessoal por João campos. Apesar de jovem ele tem escola política dentro de casa, educação no trato da política. É muito mais viável, se o Túlio não for candidato, apoiar o PSB do que o PT. O PT aí no Recife há uma distância de quilômetros de possibilidade apoio. O PSB em Túlio não sendo candidato, nessa condição, poderemos apoiar. 


No Recife, muitos analisam que a divisão da esquerda com candidaturas de João Campos, Marília Arraes e Túlio Gadêlha pode dividir votos e acabar ajudando a candidatura de um aliado de Bolsonaro no Recife. O senhor acha que isso é possível?

Acho pouco provável até porque bolsonaro nunca foi forte aí. Acho que ele está numa curva decrescente acentuada a cada dia e penso, também, que o lado da direita também vai estar dividida - tem três, quatro candidatos. O ideal é conseguir estar unido.  Nesta capital tem dois turnos. Se não está no primeiro,  no segundo estaremos juntos.  


Em Pernambuco, uma das prioridades do PDT é a candidatura de José Queiroz em Caruaru. O senhor espera ter o apoio do PSB ao PDT no município? Pode haver uma troca de apoio entre os partidos entre Caruaru e Recife?

Não só existem essas cidades que existem em Pernambuco. Pode ter aliança e pode ter vários tipos de trocas e apoio. Não pode condicionar apenas a dois.  


A candidatura de Ciro Gomes nas eleições presidenciais de 2022 ainda é uma prioridade para o PDT? O senhor acredita que ele poderá unir a esquerda em torno dele?

Eu tenho como prioridade nossa. Agora, não somos igual ao PT. Não vamos de impor nada. Ninguém faz aliança impondo nomes. Nessas alianças que a gente tem, tem a Marina (Silva), o PSB pode ter um nome também, o PCdoB tem o Flávio Dino. Eu gostaria, trabalho e me esforço para que seja Ciro. Agora, o diálogo e a frente nãos e forma por imposição.