Siglas mais cobiçadas, PT e PSL ganham tempo

Presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, e deputada Marília Arraes

Legendas mais cobiçadas para a disputa eleitoral no Estado, PSL e PT seguem cozinhando em banho-maria as definições sobre alianças e candidaturas próprias. As siglas dispõem da maior fatia do horário eleitoral gratuito na TV, o que faz diferença em qualquer campanha partidária. Com o compasso de espera diante da pandemia da Covid-19, as siglas são cortejadas pelo PSB, mas estão longe de bater o martelo para uma aliança.

O PSL ainda não definiu qual postulante à Prefeitura do Recife terá seu apoio. Na última sexta, a Executiva municipal fez uma reunião para avaliar o cenário eleitoral e as alianças. A orientação do presidente nacional da legenda e deputado federal Luciano Bivar é escolher um projeto que esteja alinhado à atuação da legenda. Com a saída do presidente Jair Bolsonaro da sigla, o leque de opções de palanque foi ampliado e apoiar a candidatura do deputado federal João Campos (PSB) é uma possibilidade. 

O PT, por sua vez, adiou para o dia 28 de junho o encontro municipal, no qual o diretório recifense definirá a tática eleitoral para as eleições 2020. Na prática, vai decidir se apoia a candidatura majoritária da deputada federal Marília Arraes (PT), defendida pelo diretório nacional, ou se mantém a aliança vigente com o PSB. Na prática, a decisão dá mais fôlego para o projeto de Arraes já que o diretório municipal defende a união com o PSB e provavelmente decidiria contra seu projeto.

 "Estamos em um momento em que a sociedade ainda está muito voltada para o acompanhamento da pandemia em Pernambuco e no Recife, a conjuntura nos obrigou a fazer o adiamento. Além disso, há a necessidade de construir um diálogo civilizatório que traga o debate da unidade. Sabemos que a decisão municipal caminha para a manutenção da aliança (com o PSB), mas independentemente do resultado, queremos construir uma unidade", afirmou Cirilo Mota, presidente municipal da sigla.
Em tese, a direção nacional leva para o debate o desejo dos membros da legenda no município, mas a última palavra é do PT nacional, que pode bancar a candidatura própria mesmo que ela não tenha o apoio da maioria da militância no Recife. Ontem, inclusive, o diretório nacional petista realizou uma reunião. Presente na reunião, a deputada estadual Teresa Leitão disse que o encontro resultou em um “debate profundo” sobre a conjuntura política, mas que a posição do PT no Recife “já está definida desde abril” - a favor da postulação de Marília. “Foi aprovada na instância superior”, sublinha. 

"Acreditamos ainda que a nacional é a última palavra, está no regulamento, mas acreditamos também que a nossa posição (municipal) será respeitada", disse Cirilo, destacando a necessidade de uma frente de enfrentamento a Bolsonaro como um fator que pode fazer a direção nacional do PT optar pela manutenção de alianças municipais, no caso do Recife, a permanência no palanque socialista.

As articulações para uma candidatura forte na centro direita também prosseguem sem definição. O deputado federal Daniel Coelho (Cidadania), um dos pré-candidatos do bloco frisa que seu partido manteve o cronograma em todo o Estado, exceto no Recife, onde "talvez a decisão da oposição tenha sido adiada um pouco". "Recife requer uma engenharia mais complexa porque nós estamos buscando uma aliança que vai girar entre 10 e 12 partidos, então é necessário um pouco mais de paciência. Mas as conversas prosseguem e talvez o tempo tenha ficado mais curto para a campanha", afirma Daniel. A tendência é que entre ele, o ex-ministro Mendonça Filho (DEM) e a delegada Patrícia Domingos (Podemos), saia o nome de um dos candidatos da disputa.