Tática do Psol nas eleições do Recife divide sigla

Um dia após o diretório do PSOL no Recife definir como tática eleitoral a construção de uma aliança com partidos progressistas de esquerda e declinar de uma candidatura própria, dirigentes ligados ao professor Paulo Rubem Santiago (PSOL), que se coloca como pré-candidato pelo partido, saíram em defesa da sua candidatura. O imbróglio ocorre porque a mudança de estratégia minou a postulação de Rubem e abriu o diálogo para o apoio a um candidato externo. O presidente estadual da sigla, Severino Alves, inclusive, sugeriu conversas com o PT e com  a pré-candidatura à Prefeitura do Recife da deputada federal Marília Arraes (PT).

Por isso, ontem, o grupo que defende a candidatura majoritária divulgou um documento com oito assinaturas - entre dirigentes nacionais, estaduais e municipais - argumentando que a decisão municipal não tem respaldo estatutário, nem regimental. Eles pedem que “seja restabelecida a deliberação pela convenção municipal, dada a ausência de consenso no diretório municipal, restaurando o direito de filiados(as) do PSOL Recife de decidir os rumos do partido.”

Com esse movimento, Paulo Rubem tenta levar a discussão sobre a sua pré-candidatura para as prévias do partido nos dias 18 e 19 deste mês. O argumento utilizado por ele é que, de acordo com uma resolução nacional, o partido decidiu que, havendo mais um nome as prévias devem ser realizadas para que os filiados decidam. Para ele, com Severino Alves se retirando da disputa, o PSOL deveria apresentar outro nome ou seguir “o ritual regimental” e levar o dele para a convenção.

Por outro lado, Severino Alves, justifica que o PSOL é democrático e permite que se construam “opiniões e divergências internas”, mas que, na última terça-feira, houve a aprovação da uma resolução e que a decisão não pode ser revertida porque o pleno da direção municipal - composto por sete pessoas - registrou a maioria dos votos - quatro.  “Existe legitimidade estabelecida”, anota. Severino reforça que a construção de uma frente de esquerda conta com a pré-candidata Marília Arraes, mas não só com ela.

Paulo Rubem Santiago, por sua vez, garante que está tranquilo e vai recorrer para que a “cassação do seu nome” seja revista pela direção nacional. “Essas quatro pessoas não tem o direito de cassar uma candidatura apresentada pelos filiados. Isso é absolutamente autoritário, só quem pode retirar o meu nome sou eu e as pessoas que me apoiam”, argumenta.

“Vamos entrar com os documentos para restabelecer a candidatura. Vamos recorrer a todas as instâncias.” Ele também defende que lançar uma candidatura própria não significa abrir mão de alianças.