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Carreiras e Empresas

Férias: um momento sagrado que precisa ser respeitado

Na minha experiência como consultora em gestão, observo com frequência um dilema recorrente nas empresas e entre os profissionais: a forma como encaramos e organizamos as férias. Esse período, que deveria ser sagrado, muitas vezes se transforma em uma maratona de pendências pessoais, agendas partidas e, em alguns casos, até em fonte de maior estresse do que aquele vivenciado no dia a dia do trabalho. O resultado é alarmante: pessoas voltam das férias mais cansadas do que quando saíram.

É verdade que, por demandas financeiras ou pela própria necessidade das organizações, as férias nem sempre acontecem em bloco. Há quem opte ou precise dividi-las em períodos menores. Mas essa decisão precisa ser acompanhada de planejamento. Férias não podem ser tratadas como dias soltos para “apagar incêndios” ou simplesmente preencher lacunas da vida pessoal. Se o profissional não consegue se organizar, acaba utilizando esse tempo precioso apenas para resolver burocracias, deixando de lado o verdadeiro propósito do descanso: recarregar as energias.

O mundo atual, com suas pressões constantes, metas desafiadoras e ritmo acelerado, exige que cuidemos ativamente do nosso equilíbrio emocional e psicológico. Uma das formas mais eficazes de preservar a qualidade de vida é, justamente, cuidar da forma como usufruímos das férias. É nesse intervalo que conseguimos desligar da rotina, refletir, resgatar o contato com nós mesmos e, consequentemente, voltar ao trabalho mais criativos, motivados e produtivos.

É importante destacar que descansar não significa, necessariamente, viajar ou investir em grandes programações. Descansar pode ser tão simples quanto dedicar tempo a atividades que proporcionem prazer e leveza — desde ler um livro até passar mais tempo com a família, praticar esportes ou, simplesmente, não fazer nada. O que realmente importa é a desconexão das obrigações profissionais e a liberdade para vivenciar momentos de bem-estar.

Nesse sentido, tanto profissionais quanto empresas têm responsabilidades compartilhadas. Para os profissionais, o desafio está em organizar as férias de forma equilibrada: planejar a resolução de pendências pessoais sem ocupar todos os dias com elas, reservar tempo de qualidade para o descanso e, principalmente, aceitar que o desligamento do trabalho é necessário. Não dá para utilizar constantemente o expediente para resolver demandas particulares e, ao mesmo tempo, desperdiçar as férias com excesso de tarefas domésticas ou burocráticas.

Do lado das empresas, é fundamental compreender a importância desse período e adotar práticas que favoreçam a recuperação real dos profissionais. Isso inclui planejar a cobertura das funções durante a ausência, evitar pressões para que o empregado “esteja disponível” e promover uma cultura que valorize o descanso. Quando uma organização demonstra respeito pelo tempo de férias, reforça não apenas seu compromisso com o bem-estar das pessoas, mas também sua visão estratégica: profissionais equilibrados e descansados entregam mais qualidade, engajamento e inovação.

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