Sáb, 15 de Agosto

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Claudemir Gomes

A arte desperta para a falência do futebol

 

 

Jogada de Risco. A nova série da Globoplay que estreou ontem, promete mostrar ao telespectador o futebol jogado dentro das quatro linhas, aquele que todo torcedor conhece, e o pesado jogo que rola nos bastidores. O saudoso jornalista Ney Bianchi, da revista Manchete, costumava dizer que “o pênalti é o lance mais capital num jogo de futebol, e acontece aos olhos de todos”. Tal conceito era sempre utilizado para cobrar transparência dos dirigentes, coisa cada vez mais rara no futebol brasileiro e mundial.

Evidente que a série é um daqueles exemplos onde a arte imita a vida, mas como o futebol faz parte da nossa cultura, e mexe com o sentimento do brasileiro, o folhetim televisivo explora várias vertentes que servem de porta de entrada para o submundo do futebol. Como o esporte mais popular do País tem um viés emocional absurdo, é natural que o torcedor venha a ter o seu imaginário turbinado.

O jogo jogado nos bastidores tem sido o grande vilão do futebol brasileiro há décadas, onde os reis, e os amigos dos reis, se alimentavam dos títulos. Os títulos minguaram, os reis foram depostos dos tronos, e os amigos dos reis não estavam capacitados para serem senhores do reinado. Afinal, durante todo o tempo foram instruídos só para aplaudirem os “Napoleões”. A bonança acabou. O desafio do futebol pentacampeão mundial é entrar em conexão com o novo tempo. Onde estão os novos e bons gestores?

A epidemia da má gestão assola o futebol brasileiro, onde clubes tradicionais se apequenam, fecham as portas. Não existem mais reis, e eles, por pensarem que eram eternos, não construíram o futuro, fato que nos trouxe um presente sem norte. Quem é você que está sentado no lugar do rei?  Ninguém soube responder à pergunta porque no Brasil a coisa mais difícil é votar certo.

Faço uma incursão pelo interior: Zona da Mata, Agreste, Sertão. “Viva o País do Futebol!”. Camisas do Palmeiras, Manchester City, Barcelona, Real Madrid, Flamengo... Nenhuma camisa dos clubes pernambucanos. A maioria das cidades não tem estádio. Futebol só pela televisão. A casa mais vista do Condomínio Residencial Colonial Inn, em Gravatá, é do jogador Joelinton, um pernambucano da cidade de Aliança que atualmente defende o Newcastle da Inglaterra. A televisão mostra tudo. A Inglaterra tem o Rei Charles. Viva o Rei! Os clubes pernambucanos não tem mais reis, e as chaves chegam às mãos de quem encanta com uma boa narrativa. Parece IA, mas é futebol real. 

Cazá, cazá, pelo Sport tudo! Viva as Repúblicas Independentes! Excluí o Arruda no nome porque o Mundão está fechado há mais de um ano. Hexa é luxo! Com os nossos clubes sem reis, e presos ao passado, o melhor é assistir o folhetim da Globoplay, que não tem gols, mas dá asas para a fantasia sexual com aulas de fetiche, coisa que rola bastante no extracampo.

 

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