Espanha é a primeira bicampeã do século
O enredo da maior Copa do Mundo da história tinha que ser diferente do das outras vinte e duas edições que já aconteceram. De tudo o que há no mundo do futebol foi visto nos estádios dos Estados Unidos, México e Canadá. Não esqueçamos os grotescos episódios extracampo, que mesmo não interferindo na proclamação do novo campeão mundial, abriu espaço para discussões que não estavam no script de uma competição tão grandiosa. Um VIVA bem grande para a Espanha, primeira bicampeã do Século XXI.
O epílogo deste filme maravilhoso começou no sábado, com a disputa do terceiro lugar. Enganaram-se todos aqueles que aguardaram um jogo insosso entre França e Inglaterra, que teoricamente iriam a campo deprimidos pela frustração de não estarem envolvidos na disputa do título. Franceses e ingleses protagonizaram um espetáculo inesquecível, coroado com um número pouco provável de gols: 10. Ao pouparem alguns titulares, os dois técnicos, Didier Deschamps (França) e Thomas Tuchel (Inglaterra), procuraram antecipar a lógica emocional do encontro, mas quando a bola rolou, os gols surgiram em profusão, fato os levaram a recorrer aos talentos que estavam de plantão nos bancos de reservas. E o espetáculo ganhou em qualidade, intensidade e encantamento com as incomparáveis assinaturas dos virtuosos. Inesquecível!
Em se tratando de final de Copa do Mundo, nem sempre as melhores seleções nos brindam com o melhor espetáculo na decisão do título. Foi justamente o que aconteceu, ontem, no estádio de Nova Jersey. Argentina e Espanha não fizeram um jogo rico de emoções. Os espanhóis apostaram na força de um conjunto que se mantém invicto há três anos, e foi para cima de uma Argentina visivelmente sem força buscando a vitória através de um lampejo de criatividade do genial Messi, aspiração essa neutralizada pela boa marcação do adversário.
Com uma posse de bola infinitamente superior, a Espanha, que boa parte do tempo esteve com um homem a mais em campo, somente chegou ao gol do título no segundo tempo da prorrogação, através de um chute certeiro de Ferran Torres. Uma jogada que traduziu toda a fúria do novo campeão mundial. Certamente o jogo final não foi o melhor da festa, mas coroou um trabalho que tem como premissa a força coletiva. E a história parece ter sua sazonalidade: em 2010 quando conquistou seu primeiro título mundial, a Espanha também era a atual campeã europeia. Um novo título que segue, na íntegra, um velho roteiro escrito por novos e heroicos personagens.
A Copa 2026 se encerra deixando um legado de grandes lições através de uma modalidade esportiva que cresce espantosamente. Um evento que marcou a despedida de grandes lendas: Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Luka Modric... No apoteótico show de despedida, no intervalo do jogo decisivo, uma mensagem para o mundo nunca esquecer: Pelé é eterno!


