Sáb, 15 de Agosto

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Claudemir Gomes

Futebol moderno é coisa para profissional

O calendário gregoriano, criado pelo Papa Gregório XIII, em 1582, dividiu o ano em 12 meses, e foi adotado como padrão mundial. Mas o tempo do futebol pernambucano, por não ter estações para ajustar, é bastante controverso. Tudo porque o amanhã é construído em apenas seis meses. A relevância do segundo semestre se torna gigantesca para os clubes. Afinal, é nesse curto espaço de tempo que fica definido o norte a ser seguido na próxima temporada. Acesso, descenso, escolha de novos gestores, e assim o ano novo chega com a cara do “Feliz Ano Velho”.

É preciso mudar esse paradigma! Afinal, como bem sugere o título do filme de Regis Farias, lançado recentemente, “Perto do Sol é Mais Claro”. Entretanto, “eu vejo o futuro repetir o passado”, como bem cantou o Cazuza. Não nos preparamos para as mudanças. E, a conta gotas, fomos assistindo a invasão dos “estrangeiros”. Tudo em nome da profissionalização do futebol da aldeia.

Em 1972 o Sport buscava um nome no mercado brasileiro para assumir a função de supervisor do futebol. Por indicação do presidente da FPF, Rubem Moreira, contratou o competente Edgar Campos, que trabalhou nos três clubes recifenses: Sport, Náutico e Santa Cruz. Campos fez escola. Para dar sequência ao seu trabalho, os militares que atuavam como fisicultores, migraram para a função burocrática, dentre eles os coronéis Adelson Vanderley, Marcos Soares, Genivaldo Cerqueira, Inaldo Alves, Vulpian Novais... Depois, foi criada uma regra de que todo técnico carregava consigo uma comissão: auxiliares, fisicultores, treinadores de goleiros, analistas de desempenho. A nova ordem abriu espaço para o coordenador e o CEO.

O grande Ruy Castro assegura que o “futebol despreza o passado”. Sendo assim, o dirigente abnegado, por mais brilhante que tenha sido sua gestão, passou a ser tratado como “dinossauro”. Um VIVA bem grande à modernidade! Portas abertas aos profissionais. A nova Roma dos altos coqueiros não conectou seu futebol com o novo tempo. Os clubes não capacitaram seus profissionais. Legiões de estrangeiros foram formadas como nuvens passageiras.

E eles erram na montagem dos times; os treinadores são ungidos com superpoderes; projetos de SAFs seguem em banho-maria. Calma! Ainda restam cinco meses e as narrativas asseguram que o ano vai ter um final feliz. E o futuro? Silêncio como resposta. O campo definirá o futuro desde sempre. Mas o tempo urge no segundo semestre. Tem muita gente mexendo esse angu de caroço. A ordem é aguardar os fatos. Se a resposta não for positiva, os “profissionais” pegam o beco e vão embora. Alguém planejou a temporada de 2027? Esquece isso! Planejamento soa como pecado na nossa aldeia. No primeiro semestre do novo ano a turma anuncia pelas redes sociais. É assim que a banda toca. Tudo com muito profissionalismo. Uma dúvida: investir no CEO ou no artilheiro? A herança é sempre maldita. 

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