Sáb, 15 de Agosto

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Claudemir Gomes

Novo título emoldurado por velha rivalidade

 

 

Não se chega a uma final de Copa do Mundo sem méritos. Isto é fato. Portanto, Argentina e Espanha estão credenciadas a nos oferecer o melhor da festa. Detalhe: a disputa do título da vigésima-terceira edição do Mundial é posta à mesa com o velho, e incomparável, tempero da rivalidade entre as escolas européia e sul-americana. A invencibilidade ostentada pelas duas seleções na competição alimenta o imaginário do torcedor fiel ao lema: “querer é poder”. Entretanto, numa decisão como esta, qualquer palpite é vã.

A Copa do Mundo é um espetáculo sem igual. Democrática, cada pessoa enxerga o evento pela ótica que preferir, e isso abre espaço para interpretações que emanam do estado de espírito de cada um. São tantas as lições que brotam a cada palmo de chão, que o jogo jogado, em determinados instantes, parece ser subjetivo. Mas domingo é o dia de se conhecer o novo campeão do mundo, ou o primeiro bicampeão do Século XXI.

O epílogo de uma festa grandiosa, repassada para todos os continentes durante 40 dias, será escrito pelo desempenho de dois times durante 90 minutos. É o futebol na sua essência tribal. A força coletiva dos grupos, o talento individual como ponto de desequilíbrio, planejamento, foco, disciplina, entrega, juventude e experiência. Como nos ensina Tostão, mestre na arte de jogar e no trato com as palavras: “o futebol é muito complexo”. Portanto, é preciso dosar tudo com a precisão dos mestres, para não pôr a perder, por tanto querer. O poeta português, Fernando Pessoa, fez um contraponto histórico com a frase: “Querer não é poder”.

O campeão europeu de um lado, e o campeão sul-americano do outro. Nenhum outro confronto daria tanta legitimidade ao título mundial. Outros continentes ainda não possuem maturidade futebolística para estarem presentes numa decisão de tal envergadura. A África está a caminho, mas ainda precisa cumprir algumas léguas de estrada. Argentina e Espanha chegam à decisão com o mesmo saldo de gols: 12. As forças dos dois conjuntos se equiparam. Messi e Rodri atraem os holofotes. Os dois capitães tiveram atuações excepcionais na Copa. Ambos merecem erguer o troféu. 

 

GOSTO AMARGO

Quando desembarcaram na América do Norte para a disputa da vigésima-terceira edição da Copa do Mundo, França e Inglaterra tinham em suas bagagens o selo de favoritos. Ingleses e franceses tiveram desempenhos elogiáveis até as semifinais. Esqueceram que favoritismo não passa de um rótulo. Foram derrotados por argentinos e espanhóis, respectivamente, e hoje disputam o terceiro lugar num jogo cujo sentimento não é outro senão de frustração. Mbappé busca a artilharia numa briga direta com Messi. Harry Kane e Bellingham correm por fora para alcançar a mesma meta. Para quem sonhava com o título, o terceiro lugar é mais desconfortante do que pedra no sapato.

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