Sáb, 15 de Agosto

Logo Folha de Pernambuco
Claudemir Gomes

O desporto sempre no banco de reservas

As convenções partidárias alegraram o Recife no final de semana. O clima de festa no Clube Internacional, e no Parador, no Bairro do Recife, nos lembrou os grandes carnavais. Discursos inflamados e promessas mil nos levaram a sonhar, e até acreditar, que dias melhores estão por vir. Sabemos que neste jogo não existe o zero a zero, mas o desporto sempre é posto no banco de reservas, nunca é escalado de frente. Mais das vezes sequer aparece no plano de governo.

Naturalmente que, partidos e candidatos não apresentam planos de governo em convenções. As festas servem de garimpos. A ordem é engordar os cordões. Saúde, educação, segurança, habitação, transportes, são prioridades, mas vale lembrar que, esporte também é educação. A prática de esportes é uma contribuição substancial para a saúde e serve como suporte para educação e segurança. Afinal, quanto mais o jovem se dedica à prática esportiva, mais se distancia das drogas. Passo pelas quadras e estádios e fico perturbado com o silêncio ensurdecedor. É como se nada estivesse acontecendo.

Nos anos 90 o futebol pernambucano sofria com o êxodo dos torcedores dos estádios. Se chegou ao assustador registro de média inferior a três mil torcedores por jogo, no Campeonato Estadual. Na época, o presidente da FPF, Carlos Alberto Oliveira, e o diretor de competições, José Joaquim Pinto de Azevedo, conversaram com o então Secretário da Fazenda, Eduardo Campos, que convenceu o governador, Miguel Arraes, a criar o programa Todos com a Nota. Nas edições seguintes o Pernambucano passou a ter média de público superior a dez mil torcedores por partida. O programa de apoio ao futebol seguiu no governo de Jarbas Vasconcelos com o nome de Futebol Solidário. Quando Eduardo Campos assumiu o Governo de Pernambuco, em 2007, o programa voltou a ser chamado de Todos com a Nota. Mas, o que no início foi transformador, acabou perdendo sua finalidade quando passou a ser um grande   guarda-chuva político. O Todos com a Nota foi extinto no governo de Paulo Câmara, fato que contribuiu para a desidratação dos clubes.

Em 2007 o governador, Eduardo Campos, criou o Bolsa Atleta, com prioridade para atletas e paratletas olímpicos. Com o passar do tempo o programa se agigantou e passou a contemplar até jogador de porrinha. Ficou com perfil de caça votos. A Secretaria de Esportes, que voltou a ser um braço da Secretaria de Educação, parecia mais uma agência de viagens. A peregrinação de federações em busca de passagens chegava a ser constrangedora. E foi criado o Passaporte Esportivo. Enfim, as coisas acontecem para apagar focos de incêndio, mas o Estado segue carente de uma política de Esportes. Nosso futebol nunca esteve tão fragilizado; o basquete, que nos anos 80 figurou entre os melhores do País, parece ter saído do mapa; o Autódromo de Caruaru virou pasto... O sentimento é de que estamos sempre levando bolas nas costas, ou fazendo gol contra. Por enquanto, carnaval só nas convenções.   

Veja também

Newsletter