O grito de alerta que ninguém entendeu
O acadêmico, José Nivaldo Jr., tricolor de corpo e alma, surpreendeu a todos quando declarou que, “Pernambuco não tem condições de manter três clubes na Série A do Brasileiro”. A declaração foi dada na época em que o Campeonato Nacional ganhou a configuração de 20 times. Ninguém lhe poupou críticas. Afinal, o Estado tinha três representantes na Primeira Divisão: Sport, Náutico e Santa Cruz. O raciocínio lógico do publicitário e cientista político se baseia no modelo europeu “onde raríssimas cidades têm mais de um time grande”.
Por que o Recife teria 3 num grupo de 20?
Segunda-feira, logo após o empate (1x1) do Sport com o Cuiabá, na Ilha do Retiro, o sétimo contabilizado pelo time rubro-negro em onze partidas disputadas como mandante, o leonino Fred Borba, em postagem feita no X, sintetizou toda a sua angústia com a frase: “Cada dia mais quero fazer logo 45 pontos”. A pontuação a qual ele se refere é a margem que livra os clubes do rebaixamento na Série B do Brasileiro.
O destino se mostra mais cruel do que o previsto, anos atrás, pelo mestre José Nivaldo Jr. O futebol pernambucano não tem nenhum representante na Série A. Nos últimos 20 anos, o Sport, clube mais estruturado do Recife, disputou 12 edições da Primeira Divisão Nacional, e 8 edições da Segunda Divisão. Há 13 anos o Náutico não disputa uma edição da Série A. Sua última passagem pela elite do futebol brasileiro foi em 2013. Em duas décadas – 2007 a 2026 – os alvirrubros estiveram presentes em cinco edições da Série A; dez edições da Série B e cinco da Série C. O Santa Cruz perdeu toda a musculatura e status de clube grande. O Tricolor do Arruda, que em 2024 não disputou nenhuma competição nacional, passou pela Série A apenas uma vez (2016), nos últimos 20 anos, período em que habitou a Série B quatro vezes; disputou oito edições da Série C e seis edições da Série D. Os números atestam a desidratação catastrófica do futebol da Nova Roma.
De repente, me pergunto: 20 anos é muito tempo? Talvez! Para os clubes pernambucanos, que foram transformados em centros de treinamentos de gestores, o tempo não urge tanto quanto deveria. Entra o seis, sai meia dúzia. Nada se transforma. Pede-se ajuda aos “universitários” de outras regiões. Na cartilha que eles rezam, a frase: “Só sei que nada sei!”. Mudança de tropa. O tempo acabou. Chegou a vez da turma da internet. Vamos investir em IA para enganar a torcida. Entreguem as chaves para os técnicos! Não, coloque o comando nas mãos dos executivos. Os clubes precisam de uma estrutura profissional.
Socorro! Chamem o SAMU. Não! Eu disse: chamem a SAF!
Os impactos negativos de 20 anos sem norte apequenaram os clubes, mas não acordaram os sócios e torcedores. Poucos entenderam o grito de alerta dado pelo sábio José Nivaldo Jr. E a Série A ficou difícil para um; pouco provável para dois é impossível para três.


