Sáb, 15 de Agosto

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Claudemir Gomes

O pobre e nostálgico futebol pernambucano

 

 

O escritor Marcelo Rubens Paiva, autor do best-seller – “Feliz Ano Velho” – nos diz que “nostalgia é sintoma de fracasso”. Uma forma bastante enfática de se posicionar contra o conservadorismo. As mudanças fazem o mundo girar. Entretanto, algumas coisas parecem ter parado no tempo, embora estejam atreladas a um contexto em que as mudanças são ditadas por uma dinâmica extraordinária. Este é o sentimento que alimentamos em relação ao futebol pernambucano.

Sport, Náutico e Santa Cruz são os três pilares que dão sustentação ao futebol estadual. Clubes centenários enriquecidos por passados de glórias. Conjugar o verbo sempre no passado – foi, conquistou, esteve, disputou – mantém o torcedor preso a uma nostalgia que não leva os nossos clubes a lugar algum. É como se estivessem enclausurados numa bolha vendo o tempo passar.

O futebol pernambucano perdeu o bonde da história e ainda não entrou em conexão com o novo tempo, ou seja, não se fez contemporâneo do Século XXI. Nossos clubes estão sempre correndo atrás da bola. Das poucas vezes em que teve sua posse, não soube administrar o jogo, fato que ocorreu com o Sport quando conquistou a Copa do Brasil em 2008.

Nos últimos 20 anos, o Santa Cruz disputou apenas duas edições do Brasileiro da Série A. O Náutico esteve, pela última vez, na elite do futebol nacional em 2013. As recentes mudanças que aconteceram nas diretorias dos três clubes não provocaram bons sentimentos nos seios dos alvirrubros, rubro-negros e tricolores. Para citar coisas positivas é preciso lembrar o passado de glórias. Acompanhando o pensamento do mestre Marcelo Rubens Paiva, de que “Nostalgia é sintoma de fracasso”, começamos a entender por que os nossos clubes se apequenaram tanto. O pior: nostálgicos não sonham com o futuro.

 

ESPANHA OUTRA VEZ

Nas casas de apostas a França era favorita. Entretanto, no futebol, favoritismo é apenas um rótulo. Os espanhóis sabem disso, e há 38 jogos mantém uma invencibilidade recorde entre seleções. A vitória – 2x0 – sobre a França, coloca a Espanha na sua segunda final de Mundial. Sabemos que, invencibilidade é algo concreto, vai além de um rótulo, contudo, não chega a ser uma garantia de título. Quem tem uma ala direita formada por Pedro Porro e Lamine Yamal pode sonhar com o bicampeonato mundial.

 

OUTROS PERSONAGENS

As pessoas gostam de ressuscitar fantasmas. Inglaterra e Argentina disputam, hoje à tarde, jogo válido pelas semifinais da Copa, e as redes sociais, junto com a mídia, falaram mais na Guerra das Malvinas, e em Maradona, do que nos personagens do confronto. Cobri as Copas de 82 e 86, quando os argentinos vivenciaram momentos distintos. Primeiro foram derrotados pelas agruras da Guerra das Malvinas, vencida pela Inglaterra. Quatro anos depois, no México, Maradona foi tão poderoso quanto os deuses Astecas. E se foram 40 anos.

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