Seg, 08 de Junho

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Claudemir Gomes

Palmas para o ônibus! Lá vai a seleção

 

 

O esforço da CBF para recolocar a Seleção Brasileira nos braços do povo tem protagonizado exageros inconcebíveis. A mega festa no Museu do Amanhã, no centro do Rio de Janeiro, para a apresentação de uma simples lista de convocação, surpreendeu até ao técnico Carlos Ancelotti. Mas os excessos não ficaram restritos a um evento. A transmissão, ao vivo, pela televisão, do traslado do ônibus que levou os jogadores e comissão técnica, da sede da CBF para o aeroporto do Galeão foi surreal. O suprassumo da imbecilidade.

Impossível não lembrar o mestre, Nelson Rodrigues e sua célebre reflexão: “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”. O desfile dos dois ônibus, as imagens aéreas feitas de um helicóptero e uma narrativa que atestava ser o Brasil do futebol um país de idiotas, provocou a incredulidade. Fiquei em dúvida: não sabia se era propaganda do ônibus da Volkswagen, ou se era um carro forte para assegurar os jogadores e seus ricos ternos Ricardo Almeida e os relógios que custam milhões. Ah! Também existem cuidados para não desalinhar os cabelos.

“Vivemos a era da imbecilidade”, ressaltou o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo que acompanhou todas as conquistas da Seleção Brasileira, desde a época de ouro do rádio. Nas redes sociais: aplausos para o ônibus. O ex-ministro e ex-governador de Pernambuco, Gustavo Krause, que gosta muito de futebol, disse, certa vez, numa roda de amigos: “As redes sociais são as tribunas dos imbecis”. Será que a taça do hexa estava escondida dentro daquele ônibus? Mistério! Afinal, nem os jogadores da seleção o povo conhece mais. Entretanto, o ônibus, por onde passar, será aplaudido. 

 

BASTIDORES JURÍDICOS

A Copa do Mundo mexe com as paixões e com os cofres das marcas. Para proteger os bilhões de dólares dos patrocinadores oficiais, as organizações esportivas montam verdadeiras operações de guerra jurídicas. No Brasil, amparada pela Lei Geral do Esporte, as entidades vão caçar o uso não autorizado de lemas, hinos e marcas. “O monitoramento é criterioso e implacável”, assegura Larissa Cahú, do Da Fonte Advogados. O segredo do sucesso para as marcas não patrocinadoras está em ativar a paixão pelo futebol.

 

CARÊNCIA DE ÍDOLOS

O desporto brasileiro está carente de um grande ídolo. Isto é fato. A discussão vem à tona sempre em anos de Copa do Mundo e Olimpíadas. O brilho de João Fonseca no Torneio de Roland Garros também levantou a lebre. Existe um grande número de virtuosos em várias modalidades, mas nenhum com a força e o carisma de um ídolo nacional. Um carisma que Neymar leva consigo, e faz a diferença propagando o futebol brasileiro, mesmo sem jogar.

    

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