Seg, 18 de Maio

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Duda Menezes

A dependência em Chat GPT alimenta a IA e emburrece seres humanos

Quando não estimulados, perdemos aos poucos a capacidade de executar as coisas mais básicas

Foto: Duda Menezes

Há poucos anos as respostas estavam nas enciclopédias, agora basta perguntar a uma inteligência artificial qualquer coisa e ter a solução em segundos. Por mais incrível ou temível que seja, elas vêm para ficar e nada será como antes. Muitas vezes facilitam nossas vidas, mas também assusta, especialmente quando passamos a utilizá-las como regra.

E quase virou regra encontrar textos nas redes sociais escritos numa estrutura muito parecida, mecânica. Se antes apenas em textos mais elaborados, talvez numa tentativa de soar melhor com um mínimo esforço envolvido, agora também disseminado em frases e postagens aleatórias. Uma reflexão sobre a vida? Chat GPT. Simples mensagem de felicitações ou pêsames? Também. Com o nosso cérebro cada vez mais condicionado ao estímulo breve, agora também enferrujamos o ato de escrever e formular frases.

Escrever um texto com erros gramaticais não te torna menos inteligente, é apenas humano. Depender de uma ferramenta de inteligência artificial para elaborar poucas linhas talvez te leve por esse caminho. Sabe aquela máxima que só aprendemos errando? Batido, né? Mas real. Quando não estimulados, perdemos aos poucos a capacidade de executar as coisas mais básicas. E nos tornamos reféns.

Até onde é viável manter a farsa? No começo deste ano, uma renomada editora de livros no exterior (Hachette) apostou no livro Shy Girl, de Mia Ballard, uma autopublicação que vinha fazendo sucesso na internet, mas precisou suspender o lançamento nos EUA, e descontinuar o livro já lançado no Reino Unido, quando uma ferramenta detectou 78% do conteúdo escrito por IA.  A obra levantou suspeitas por conter metáforas sem sentido e frases estranhas. A autora nega.

O episódio acendeu um alerta sobre os limites da tecnologia na produção intelectual e o que verdadeiramente concede valor a uma obra artística. Livros, músicas, filmes, ilustrações, já encontramos obras feitas por IA em todos os meios possíveis. Ainda há relutância, temor e pouca aceitação, mas se aplicamos até mesmo nas frases diárias mais simples e nos sentimos autores daquelas linhas e validados por isso, até quando?

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