Seg, 20 de Abril

Logo Folha de Pernambuco
Duda Menezes

A melhor experiência cinematográfica do último ano (vem de um livro)

E chegou aos cinemas na última semana

'Devoradores de Estrelas', ficção científica com Ryan Gosling'Devoradores de Estrelas', ficção científica com Ryan Gosling - Divulgação/Sony Pictures

Lançado originalmente em 2021, Devoradores de estrelas, de Andy Weir, não apenas será uma das melhores leituras da sua vida: também conseguiu o feito cinematográfico de uma adaptação que faz jus ao livro e mantém a essência responsável pelo sucesso quase unânime dessa história: somos falhos, mas também brilhamos.

Em um mundo caótico, cheio de notícias ruins e uma leve falta de fé na humanidade, o apocalipse parece questão de tempo. Em Devoradores de estrelas ele chegou, mas não como imaginamos! Organismos extraterrestres estão consumindo nosso Sol, e todas as estrelas do Universo, com exceção de uma. O que a torna tão diferente? Eis uma corrida contra o tempo com as mentes mais brilhantes trabalhando para tentar descobrir como conter a ameaça e impedir o desastre. 

Quando o planeta inteiro é ameaçado de extinção, as diferenças são deixadas de lado no instinto básico da sobrevivência. Neste ponto, o enredo resgata moldes clássicos dos melhores romances de ficção científica: ser humano x natureza, com todo o seu raciocínio e inteligência na busca por soluções urgentes e viáveis. E aqui apresenta seu grande trunfo: um protagonista comum, relacionável, carismático, falho, essencialmente humano. É num professor de ciências do ensino fundamental que reside a última esperança da Terra. E o leitor, e telespectador, é quase um convidado especial neste evento.

A história é carregada de tensão, toques de suspense, altas doses de comédia, drama e ciência. O roteiro do filme ficou a cargo de Drew Goddard, que retorna anos após o trabalho incrível ao adaptar outra obra do mesmo autor (Perdido em Marte, 2015), e consegue captar perfeitamente as nuances do romance, especialmente quando o elemento surpresa - e fator humano - estão muito presentes num livro altamente técnico, mas acessível, sobretudo pelo seu teor emocional. O cuidado e fidelidade ao material original surpreende positivamente.

Ryan Gosling foi feito para este papel. Como protagonista, o ator navega facilmente entre a comédia e o drama, elementos fundamentais no enredo, e a boa escalação se estende aos coadjuvantes do longa. É uma alegria como leitora conferir uma história tão cuidadosamente adaptada em cada mínimo detalhe, com um excelente design de produção, construindo sets de filmagem e protótipos reais, fugindo das telas verdes e uso excessivo de CGI tão comum hoje em dia. Vale a pena conferir o visual deslumbrante do filme na melhor tela de cinema possível.

O sucesso do filme - e do livro - se justifica. A verdade é que precisamos de histórias assim, essencialmente boas, bem elaboradas, capaz de emocionar, fazer com que nos importemos verdadeiramente com os personagens, com seus destinos, e que reacendam nossa fé na humanidade, ultrapassem diferenças mundanas e resgatem nas adversidades o que há de melhor (e semelhante) dentro de cada um na Terra… e além dela.

Veja também

Newsletter