Qui, 08 de Outubro

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Duda Menezes

Jovens no Brasil não gostam de ler ou falta incentivo?

A presença expressiva de jovens na Bienal SP reforça a importância do incentivo à leitura

Foto: Duda Menezes

Recentemente, eu visitei a 28ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo e a primeira coisa que pode ser dita sobre o evento é: lotação máxima. Primeiros dias com ingressos esgotados, corredores intransitáveis, um mar de gente, muita fila para entrar em estandes de editoras e horas de filas para comprar… livros!

É fato que o acesso ao evento e qualidade da visita tem muito a melhorar, mas impossível não ficar feliz com a quantidade de JOVENS interessados por literatura: eventos, auditórios, mesas, sessões de autógrafos, ações interativas e muitos livros comprados. Porque sim, por todos os lados, em todos os corredores, a quantidade de adolescentes e jovens adultos é enorme, vários com pilhas de livros em mãos.

Dizer que jovens não se interessam por leitura talvez seja o mesmo que dizer que jovens não foram incentivados a ler. Crianças refletem o que são habituadas a fazer, ou mesmo o que enxergam no âmbito familiar. Se estimuladas desde cedo a darem uma chance aos livros, considerarem a leitura como algo divertido e prazeroso, a probabilidade de adotarem o hábito em suas vidas é enorme. Desde visitar livrarias e deixar seus filhos escolherem títulos livremente, próprios para a idade, bibliotecas e contação de histórias infantis, a programas como a Bienal, que acontecem em alguns estados do país e estão cada vez mais populares e lotados.

“Ah, porque a juventude brasileira não gosta de ler”. Será mesmo? O sucesso do BookTok e Bookstagram, bolhas online cada vez mais tomadas por jovens leitores, mostra um lado da internet que não só ajuda, como muitas vezes é um dos principais incentivadores, especialmente em casos que os adolescentes não estão familiarizados com leituras em casa. É um nicho digital responsável por alavancar vendas de vários sucessos literários e colocar títulos em destaque. 

Autores de literatura jovem como o fenômeno nacional O diário de uma princesa desastrada, de Maidy Lacerda, ou internacionais, como os livros da norte-americana Lynn Painter, levaram centenas de jovens leitores ao evento em SP, com receptividade digna de grandes ídolos, apenas para citar alguns.

Ter nos livros um espaço acolhedor, com momentos de interação real com outros leitores, ou particular na solitude de nossos quartos, é um privilégio inestimável que você pode oferecer a uma criança ou adolescente.  Talvez adolescentes gostem de ler muito mais do que se imagina. Quando lemos não estamos sozinhos, como pontuado pelo autor espanhol Carlos Ruiz Zafón “Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó cujo cheiro ainda conservo nas mãos”.

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