Crises de ansiedade afetam consumidores com dívidas em excesso

Dívidas - Felipe Ribeiro / Arquivo Folha

Ter problemas financeiros em decorrência de dívidas em excesso, é o óbvio. Mas, além deles, as consequências emocionais e de comportamento que os devedores adquirem, também devem ser levados em conta. E não são poucos os casos de pessoas que se sentem mais ansiosos por causa dos débitos.

De acordo com levantamento feito nas capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), pelo menos seis em cada dez inadimplentes – o que equivale ao percentual de 58% - passaram a ter sintomas de ansiedade.

Outros sentimentos que a maioria dos inadimplentes passou a vivenciar em algum grau foram também a insegurança em não conseguir pagar as dívidas (59%) e o estresse (52%). Há ainda uma parcela considerável de devedores que passaram a se sentir angustiados (47%), com sentimento de culpa (46%) e desanimados (41%) após as pendências.

A pesquisa também mostra que os atrasos de pagamento afetaram a autoestima de 41% dos entrevistados e quase um terço (31%) sente-se envergonhado perante a família e amigos por estarem devendo. Além disso, a preocupação com a imagem transmitida aos outros é algo que parte dos entrevistados leva em conta: 12% citam o medo de não conseguir um emprego por estarem devendo e 5% temem ser considerados desonestos pelas demais pessoas. De modo geral, 56% dos inadimplentes demonstram um alto grau de preocupação com as dívidas em atraso que possuem.

De acordo com a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o estado emocional do devedor interfere de forma direta na maneira com que ele lida com suas finanças. Sentimentos negativos dificultam o processo de organização das contas e é preciso que ele encontre formas de não se deixar abater pelas preocupações.

Vícios
A inadimplência também fez com que os consumidores buscassem meios de fugir de preocupações com a situação financeira. De acordo com a pesquisa, 22% das pessoas com contas atrasadas passaram a descontar a ansiedade em algum vício como cigarro, comida ou álcool e 15% passaram a gastar mais do que o costume com compras. Mesmo inadimplentes, 26% dos entrevistados admitem não terem feito ajustes no orçamento e 22% não abriram mão de compras que costumavam fazer.

O humor de boa parte dos entrevistados também foi impactado pelo endividamento, causando abalos até mesmo na vida social das pessoas. Os principais efeitos incluem ficar facilmente irritado (40%) ou mal-humorado (40%), além de ter menos vontade de sair e de se socializar com outras pessoas (32%). Outra constatação é que as pessoas podem reagir de forma oposta entre si em um momento de abalo emocional por causa das dívidas. Assim, enquanto uns sentem insônia (33%) e mais vontade de comer (26%), outros sofrem com perda de apetite (16%) e vontade de dormir fora do normal (24%).

Metodologia
A pesquisa ouviu consumidores com contas em atraso há mais de 90 dias, abrangendo ambos os gêneros de pessoas acima de 18 anos, de todas as classes sociais. A íntegra da pesquisa pode ser acessada em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

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