Anfavea prevê 3 milhões de veículos vendidos em 2026, maior volume desde 2014
Entidade eleva projeção de vendas, mas alerta para avanço das importações
O mercado automotivo brasileiro deve voltar a superar a marca de 3 milhões de veículos novos vendidos em 2026, resultado que não era alcançado desde 2014. A nova projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) aponta crescimento de 12,1% sobre 2025, impulsionado pelo desempenho acima do esperado no primeiro semestre.
A estimativa representa uma revisão significativa em relação ao início do ano, quando a entidade previa cerca de 2,7 milhões de emplacamentos. Entre janeiro e junho, foram licenciados 1,42 milhão de veículos, alta de 18,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.
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Produção cresce em ritmo menor
Apesar do aquecimento do mercado, a produção nacional deve avançar 5,8% em 2026, chegando a 2,7 milhões de unidades. Para a Anfavea, o crescimento mais moderado das fábricas é consequência direta da forte expansão das importações.
Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, produção e vendas costumam evoluir de forma semelhante, mas esse equilíbrio foi rompido neste ano.
"Tradicionalmente, produção e emplacamentos caminham juntos. Neste ano, porém, as vendas crescem em ritmo superior por causa do aumento das importações", explicou Calvet.
Nos seis primeiros meses do ano, o Brasil importou 280 mil veículos, sendo 140 mil vindos da China, ou seja, quase o dobro do registrado no mesmo período de 2025.
Os eletrificados lideraram esse movimento. Foram importadas 145,9 mil unidades entre elétricos e híbridos, superando os 134,5 mil veículos movidos apenas a combustão.
Enquanto o mercado interno acelera, a previsão para as exportações foi revisada para baixo. A Anfavea agora estima o embarque de 462 mil veículos em 2026, queda de 12,2% em relação ao ano anterior.
Críticas ao incentivo para CKD e SKD
A entidade também voltou a criticar a renovação das cotas de importação com isenção tributária para veículos nos sistemas CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down), em que os automóveis chegam parcialmente desmontados para montagem no Brasil.
Segundo Calvet, a preocupação não está relacionada à eletrificação, mas ao incentivo a um modelo de produção que exige menos mão de obra e pode reduzir a competitividade da indústria instalada no país.
O presidente da Anfavea afirmou ainda que existe o risco de outras montadoras adotarem esse formato caso ele se torne mais vantajoso economicamente.
Justiça
Apesar das críticas, a Anfavea informou que não pretende recorrer à Justiça contra a decisão do governo. Como a renovação das cotas tem validade de apenas seis meses, a entidade avalia que uma ação judicial teria pouca efetividade.
Em vez disso, pretende apresentar uma representação ao Ministério Público de Contas para pedir melhorias na governança da Câmara de Comércio Exterior (Camex), alegando falta de transparência no processo que aprovou a medida.



