Sáb, 15 de Agosto

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Ferrari Luce: após polêmica, primeiro elétrico da marca esgota vendas após alta demanda na China

Criticado pelo design e pela eletrificação, o modelo atingiu a meta do ano em dois meses

Ferrari Luce: primeiro carro 100% elétrico da marca divide opiniões, mas já é sucesso de vendasFerrari Luce: primeiro carro 100% elétrico da marca divide opiniões, mas já é sucesso de vendas - Ferrari/Divulgação

A estreia da Ferrari no segmento dos carros 100% elétricos começou cercada de desconfiança, críticas e até queda nas ações da montadora.

Mesmo assim, o resultado comercial surpreendeu. O Ferrari Luce, primeiro elétrico da marca italiana, já atingiu a meta de vendas prevista para 2026 em apenas dois meses após o lançamento, impulsionado principalmente pela forte demanda da China.

Segundo informações publicadas pelo Financial Times, a fabricante vendeu todas as quase 500 unidades planejadas para este ano.

O modelo tem preço inicial de 550 mil euros (cerca de R$ 3,2 milhões) e foi desenvolvido para conquistar um novo perfil de consumidores, especialmente empresários do setor de tecnologia e compradores de mercados onde a eletrificação já está mais consolidada.

Desempenho de superesportivo
Apesar da proposta elétrica, o Luce mantém o DNA esportivo da Ferrari. O modelo é equipado com três motores elétricos, um no eixo dianteiro e dois no traseiro, que entregam mais de 1.000 cv de potência combinada. O conjunto conta com tração integral e vetorização de torque nas quatro rodas para maximizar o desempenho.

Segundo a fabricante, o esportivo acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 2,5 segundos e ultrapassa os 320 km/h de velocidade máxima. A arquitetura elétrica de 800 volts permite recargas ultrarrápidas de até 350 kW, enquanto a bateria de 122 kWh oferece autonomia estimada em 600 quilômetros, conforme o ciclo WLTP.

No interior, o Ferrari Luce aposta em um ambiente tecnológico. O painel reúne três mostradores analógico-digitais integrados a telas OLED desenvolvidas pela Samsung Display, reforçando a proposta de unir tradição e inovação no primeiro modelo 100% elétrico da marca.

Design do Ferrari Luce dividiu opiniões pelo visual diferente dos esportivos tradicionais da marca.
Design do Ferrari Luce dividiu opiniões pelo visual diferente dos esportivos tradicionais da marca |  Foto: Ferrari/Divulgação

Estreia polêmica
Apresentado oficialmente em maio, o Luce provocou uma reação incomum para um lançamento da Ferrari. O design, assinado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, dividiu opiniões nas redes sociais e entre os admiradores da marca.

O visual recebeu comparações com modelos muito mais acessíveis, enquanto o conceito da carroceria foi alvo de críticas por se afastar da identidade tradicional da fabricante de Maranello.

O projeto também chamou atenção por reunir referências do universo da Apple com soluções de engenharia desenvolvidas em parceria com a Nasa.

A repercussão negativa não ficou restrita aos fãs. Logo após a apresentação do modelo, as ações da Ferrari chegaram a recuar mais de 8%, refletindo a preocupação de investidores sobre a entrada da empresa no mercado de elétricos.

Críticas internas
As críticas vieram até de um dos nomes mais importantes da história da montadora.

O ex-presidente da Ferrari Luca Cordero di Montezemolo afirmou que o Luce não representaria a essência da marca e chegou a sugerir que o modelo deixasse de utilizar o tradicional emblema do Cavallino Rampante.

Apesar da repercussão, a fabricante manteve sua estratégia. De acordo com o Financial Times, as concessionárias foram orientadas a não incentivar clientes tradicionais e colecionadores a trocar seus esportivos a combustão pelo elétrico.

A ideia é posicionar o Luce como um produto voltado a um público específico, sem comprometer a base de consumidores apaixonados pelos motores V8 e V12 da marca.

Cabine do Ferrari Luce reúne três mostradores analógico-digitais e telas OLED da Samsung Display.
Cabine do Ferrari Luce reúne três mostradores analógico-digitais e telas OLED da Samsung Display | Foto: Ferrari/Divulgação

China lidera a demanda
O principal motor das vendas foi o mercado chinês, onde os veículos elétricos já possuem elevada aceitação entre consumidores de alto padrão.

Além da China, empresários ligados ao setor de tecnologia no Vale do Silício, nos Estados Unidos, também aparecem entre os principais compradores do novo modelo.

Para Scott Sherwood, analista independente ouvido pelo Financial Times, a Ferrari acertou ao direcionar o Luce para um nicho diferente daquele que tradicionalmente compra seus superesportivos.

Produção limitada
Mesmo com a rápida procura, a Ferrari não pretende transformar o Luce em um modelo de grande volume.

A meta da fabricante é comercializar aproximadamente 2.500 unidades até 2030, o equivalente a cerca de 600 carros por ano, representando algo próximo de 5% das vendas anuais da empresa.

Segundo o CEO da marca, Benedetto Vigna, a estratégia de produção limitada permitirá preservar as elevadas margens de lucro da marca, mesmo com a eletrificação do portfólio.

Agora, a expectativa gira em torno da primeira unidade produzida do Luce, que será leiloada durante a Monterey Car Week, na Califórnia.

A casa de leilões Sotheby's estima que o exemplar especial possa ultrapassar US$ 1,1 milhão (cerca de R$ 5 milhões) no arremate.

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