A força do mercado de luxo no Brasil

Eduarda Haeckel, do Inspiração Invest e Carlos Ferreirinha, um dos mais importantes formadores de opinião sobre o Mercado e a Gestão do Luxo e Premium da América Latina - Divulgação

A Folha Finanças desta semana entrevistou Carlos Ferreirinha, um dos mais importantes formadores de opinião sobre o Mercado e a Gestão do Luxo e Premium da América Latina. Ele foi entrevistado por Eduarda Haeckel, do Inspiração Invest, parceira deste blog, publicitária com MBA em Marketing e cofundadora da Editora Inspiração. 

Na entrevista, Ferreirinha fala sobre como está o mercado de luxo no Brasil, a importância do segmento para o consumo, os impactos da pandemia da Covid-19 no setor, e o futuro do segmento luxuoso. 

Carlos Ferreirinha tem mais de 25 anos no gerenciamento de operações, desenvolvimento de negócios, marketing, comunicação e inteligência estratégica, com posições executivas sêniores em empresas como EDS e Louis Vuitton – grupo LVMH, onde foi CEO Brasil e diretor sênior da América Latina. Ele, fundou ainda a MCF Consultoria, empresa de inteligência do luxo em gestão, promovendo consultoria, orientação, treinamento, capacitação e educação no mercado. 

Ferreirinha é também líder da Associação Brasileira das Marcas de Luxo (Abrael), e reconhecido como um dos melhores palestrantes de negócios e gestão do Brasil. Em 2013, Carlos fundou em sociedade, a Bento Store, marca de consultoria estratégica da MCF. 

Confira a seguir, a entrevista com Carlos Ferreirinha.  

O que é o mercado de luxo e como ele se expressa no Brasil?

A manifestação do acesso ao luxo é percebida por muitos filósofos franceses, desde o período paleolítico. Enquanto atividade comercial, passa a ser entendido principalmente a partir do século XVII, quando a expressão do consumo passa a ser mais evidenciada. 

Entretanto, enquanto atividade econômica, o surgimento do grupo LCMH – Moët Henessy Louis Vuitton no ano de 1987, há apenas 34 anos, se torna um movimento organizado e estruturado – a formação dos grandes grupos e da gestão profissionalizada de uma atividade que até então era vista como apenas pequena, artesanal, familiar. 

É possível entender o luxo no brasil desde sempre. Nos últimos 30 anos, principalmente, muitas marcas internacionais operavam no brasil através de investidores locais e com a abertura do mercado, a atividade ganha relevância e, nos últimos 20 anos, de forma mais organizada e consistente.

É importante considerar que sempre existe algum tipo de manifestação do luxo regionalmente. E são muitas as atividades, do chocolate à moda, do hotel ao avião, do turismo à gastronomia, do sapato ao carro, do apartamento e da casa, às marcas de cama & banho. Luxo é o patamar máximo da excelência. O estado da arte do extraordinário.

Qual a importância desse segmento de mercado na cadeia de consumo?

Como qualquer outra atividade econômica, luxo é parte da economia real, movimenta resultados expressivos. A atividade do luxo e moda na França, representa a quarta principal força do resultado do PIB. Países como a própria França, Itália, Inglaterra e Alemanha são ícones do luxo tradicional e produtores das principais marcas de luxo de renome global. 

A atividade do luxo é responsável em educar a cadeia produtiva à um patamar de qualidade diferenciado. Desenvolve e qualifica a mão de obra à um patamar elevado de serviço, fomentam empregabilidade, geram resultados na economia diretamente, corroboram para a imagem da produção de origem, a artesania, a matéria prima diferenciada.

O mundo inteiro está atravessando um momento de profundas transformações, qual o impacto da pandemia no mercado de luxo e que inciativas você acredita terem sido aceleradas durante esse período?

A atividade do luxo passa pelas mesmas intercorrências de qualquer outra atividade da economia real. Momentos de crise, geram destruições e ao mesmo tempo janelas de oportunidade. Em toda crise é assim. Não apenas com o luxo, com todos os setores.

Nesse momento de pandemia, como há uma expressiva concentração de riqueza, todos os setores que trabalham com produtos e serviços focados em nicho, estão sendo favorecidos. Tudo que envolve valorização no médio – longo prazo também é favorecido como imóvel, joias, carro, arte, lanchas. O turismo doméstico de luxo tem sido favorecido. 

Evidentemente que tudo que foi acelerado na dinâmica socioeconômica nesse momento no mundo como a transformação digital, conceitos de diversidade e inclusão, também estão sendo pressão nas marcas e na atividade do luxo.

Quais conceitos sobre gestão e inteligência estratégica do mercado de luxo podem ser aplicados em outros segmentos e atividades?

A busca imperativa pela excelência, a qualidade resolvida, o pensar longevo, a obsessão pelos detalhes, quase como um princípio de neurose, a transformação do básico em extraordinário – do simples em especial e do especial em experiência. A busca pela diferenciação como ritual. O tempo como elemento de maturação. A não negociação do excepcional.

O mercado de luxo tem um olhar de antecipação e vanguarda, como você acredita que irá se expressar o luxo no segmento de saúde no futuro próximo?

Já vem se expressando fazem muitos anos. São muitos os exemplos de luxo muito bem construídos no segmento da saúde, seja em hospitais, clínicas, planos de saúde, posicionamento de profissionais.

O Brasil tem sido um exemplo mundial nesse sentido. Referências hospitalares, laboratórios e planos de saúde privados. Pernambuco, por exemplo, é a escola da hospitalidade do luxo na saúde com o case do Santa Joana. É importante também mencionar o trabalho exemplar sendo feito, em Recife, pela rede Geare e a Ícone. 

Nesse momento de pandemia onde saúde ganha relevância e como dito anteriormente, concentração de riqueza, os exercícios de gestão do luxo na saúde, serão ainda mais fortalecidos.
 

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