Faaca: crescimento e expectativas para 2021

Camila Haeckel, do Inspiração Invest e Bruno Carrazzone, um dos idealizadores e fundadores do Grupo Faaca - Divulgação

Camila Haeckel do Inspiração Invest entrevistou nesta semana na Folha Finanças, Bruno Carrazzone, um dos idealizadores e fundadores do Grupo Faaca. Na conversa, Bruno aborda temas como o crescimento do segmento do setor de delivery, a adaptação dos restaurantes a uma nova realidade de funcionamento durante a pandemia da Covid-19, e as expectativas de crescimento do Grupo Faaca.

Carrazzone já está no ramo há mais de vinte anos e traz em seu currículo alguns empreendimentos na área da gastronomia. Dedicado e comprometido com o que faz, procura sempre atualizar-se com as novas tendências do mercado. Atualmente ele é diretor executivo da marca Faaca, que abriu a sua primeira unidade em 2017 com a proposta inovadora de oferecer uma grande variedade de carnes nobres, preparadas na parrilla, em ambiente de boteco.

Confira a seguir a entrevista com um dos fundadores do Grupo Faaca, Bruno Carrazzone.

Como surgiu a ideia do Faaca? O modelo de franquia sempre esteve nos seus planos?

Diante de um público mais exigente, como já havia ocorrido no consumo de outros produtos, a exemplo de vinhos, cervejas e café e etc, a procura por carnes nobres também vinha passando por mudanças, especialmente nos anos de 2016/2017, com o aumento da demanda por produtos de qualidade e de novas experiências gastronômicas.

O Faaca nasceu justamente em resposta a essa demanda, com a proposta inovadora de oferecer um produto de excelência, em ambiente descontraído e com a simplicidade de um boteco, características principais desse tipo de segmento, no setor da gastronomia. Trouxemos o melhor que havia no mercado de carnes, com gados de origem britânicas e cortes diferenciados.

Em nossa casa, apresentamos o produto em expositores refrigerados no salão, onde o cliente pode escolher o produto que irá consumir, tendo opções com vários tamanhos e pesos, quantidade de gordura e preço. Dessa forma, criamos uma experiência ampla para o cliente, aguçando vários dos seus sentidos e, sobretudo, da livre escolha do produto a ser preparado na parrilla.

Com isso, tentamos quebrar o paradigma de que o acesso e consumo de uma boa carne na parrilla estava restrita a casas de alto luxo. Assim, o Boteco Faaca tornou-se o primeiro Boteco de Parrilla, sendo inovador no mercado, defendendo o lema: simplicidade com qualidade.

No início de 2018, o chef espanhol Ferran Adrian falou numa feira em São Paulo que: “o restaurante do futuro deve ser informal, barato e divertido “

A cada dia recebíamos um retorno positivo sobre o Faaca, a marca tinha caído na graça do público. Com o êxito do nosso primeiro Boteco Faaca, situado no bairro do Parnamirim, em Recife, começamos a pensar em um plano de expansão que também inclui uma rede de franquias. Hoje o grupo conta com três marcas. Faaca Boteco, Faaca Açougue e Faaca Burguer.

Como vocês conseguem crescer de forma tão sólida e acelerada em tempos de pandemia?

Infelizmente, há mais de um ano, a pandemia da Covid passou a ser uma realidade na vida das pessoas e das empresas. Com o Faaca não foi diferente. Inicialmente, precisávamos entender o tamanho do problema e quais os impactos poderiam ocorrer em nossas próprias vidas, dos colaboradores, da saúde econômica da empresa.

Naquele momento, como para o restante do mundo, eram muitas dúvidas, muitas perguntas sem respostas e necessidade de traçar um plano estratégico de atuação.

Não foi e ainda não está sendo fácil. Fruto de muito trabalho, adequações, gestão de processos, capacitação da equipe, descentralização do poder de decisão, aumento da resolutividade em cada nível hierárquico da empresa e adoção imediata de medidas sanitárias e ferramentas disponíveis de tecnologia.

Em tempos de crise, o gestor precisa identificar as oportunidades, avaliar novos convites e parcerias, reanalisar e realinhar o próprio negócio, estreitar laços com os colaboradores e compartilhar decisões.

O ramo da gastronomia necessita cada vez mais de profissionalização, de gestão de processos, do estabelecimento de metas, para poder se manter no mercado. A fase de expansão requer planejamento estratégico, de médio e longo prazo, e mesmo em tempos difíceis, deve aproveitar oportunidades.

No segundo semestre de 2018, o Grupo Faaca, objetivando melhoria na gestão, contratou a AGS Investimentos para nos apoiar em nossa gestão estratégica financeira e implementar boas práticas de governança corporativa que pudessem sustentar nosso plano de expansão.

Também iniciamos o processo da cadeia fornecedora de insumos x cliente final, fechando nova parceria verticalizando a operação de carnes.

Atualmente compramos gado vivo e fazemos todo processo de cortes e finalização do produto a ser comercializado.

Essa verticalização no processo de manipulação da carne foi fundamental para a expansão da empresa, por conseguir minimizar os aumentos no preço das carnes que o mercado vem sofrendo.

Como o lockdown e as restrições de horário afetaram o Grupo?

Como todos os segmentos da gastronomia e de eventos, o Grupo Faaca foi bastante afetado, honrar com todos os compromissos está sendo bem difícil. O mercado, como um todo, está tendo que ter muito jogo de cintura para esperar a reabertura e se reinventar da noite para o dia.

Mesmo considerando que já houve a reabertura parcial, as restrições de horário de funcionamento também não ajudam muito aos bares e restaurantes. Rapidamente criamos um comitê de crise que foi fundamental para nos apoiar nas decisões, tivemos que negociar aluguéis e trazer os fornecedores para dentro de nossa realidade, sentar e conversar mesmo, jogar bem aberto. Alguns vão entender que é um momento e vai passar, outros não. Mas sabemos que o cenário é difícil para todos, não podemos julgar ninguém neste momento.

O delivery cresceu muito nesse período? O perfil dos clientes mudou?

Sim, na opção delivery tivemos um aumento de quase 80%. Antes da pandemia recebíamos pedidos delivery basicamente de Hambúrguer, mas em uma semana após o início do lockdown, as outras opções do Boteco e das carnes já necessitavam adaptar-se rapidamente ao novo cenário.

Foram necessárias providências rápidas para escolha de embalagens e sacolas, entregadores. O mercado não estava preparado e naquele momento não sabíamos dimensionar as nossas necessidades e por quanto tempo.

Mas mesmo com todo esforço, uma casa com equipe e estrutura para atendimento de salão ao público não consegue viver de delivery, poderia dobrar as vendas, mas a conta não fecha. No final ainda temos as taxas dos aplicativos de delivery, que reduzem ainda mais os recebíveis das casas, apertando mais ainda o resultado no final do mês.

O que o segmento vem fazendo para se adaptar a esse novo normal? Para dar segurança ao público?

Os bares e restaurantes estão há mais de um ano fazendo um esforço grande para tentar trazer o cliente para dentro de suas operações. Todo trabalho de higienização, medição de temperatura, proteção de utensílios, máscara, álcool vem sendo seguido rigorosamente pelo setor, tanto para proteger os colaboradores e nossos clientes. Lógico que isso implica em um aumento expressivo nos custos, que neste momento não conseguimos repassar.

Quais são seus planos para o futuro?

O Grupo Faaca entende que este tipo de modelo criado não tem fronteiras, afinal uma boa carne de qualidade, um atendimento diferenciado, uma cerveja bem gelada e um bom hambúrguer se encaixam no paladar e gosto de boa parte da população.

A ideia de expansão é ter unidades instaladas em todo o Brasil, crescendo pelo Nordeste e seguir pelo Sudeste e Sul. Continuar com a venda das franquias do Açougue Faaca e Faaca Burger e fortalecer fidelizando a marca no mercado de Portugal e, quem sabe, pensar numa expansão em outros países da Europa.

Quais foram seus maiores desafios e aprendizados?

Há mais de 20 anos trabalhando e empreendendo na área da gastronomia e entretenimento, posso dizer que os desafios e aprendizagem são diários. No mercado de alimentação, procuro estudar sempre, ouvir e responder ao cliente, procurando fazê-los entender que a sua satisfação é a maior motivação do nosso negócio. Sem o cliente satisfeito, não há operação de sucesso.

Embora ainda me considere jovem, ao longo desses anos de mercado, desde a minha adolescência, passei por alguns desafios. Por gostar muito do que faço, já trabalhei com diversas culinárias, criei algumas casas, sempre tentei aprender de tudo um pouco. Expandir tem sido, talvez, o maior desafio. Crescer mantendo o padrão de qualidade, fornecimento de matéria prima, treinamento de equipe, estimular a criação de novos cardápios e se reinventar a cada dia.

Ser responsável por criar uma marca que fique consolidada é bem difícil, em nossa cidade já não é fácil, ir para outro estado mais difícil ainda e agora em outro país, nova cultura, novas leis, novos insumos, mas no fundo, todo empreendedor é movido por isso, por novos desafios. Queremos todos os dias aprender para poder fazer algo diferente que seja aceito pelo público.

Tudo que aprendi foi na prática, no dia a dia, observando as pessoas fazendo o certo, replicando, errando para chegar no acerto.

Que dica você daria para quem está começando a empreender?

Eu diria para a pessoa analisar o mercado, procurar ter constância de propósito, que faça uma operação profissionalizada e tenha sempre a humildade para aprender e resiliência diante das dificuldades.
 

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