Impactos da queda da taxa Selic nos investimentos: Estratégias e recomendações

Como a decisão do Copom afeta renda fixa e a renda variável

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O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu, no último dia 2 de agosto, a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual (p.p), de 13,75%, para 13,25%. A deliberação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a taxa Selic tem impacto nos produtos de investimento no mercado financeiro.

A Selic representa a taxa fundamental de juros da economia e é o principal mecanismo de política monetária empregado pelo Banco Central (BC) para regular a inflação. Ela exerce impacto sobre as outras taxas de juros do País, além disso, a Selic influencia os custos de crédito e a rentabilidade de investimentos e a redução da taxa altera o funcionamento do mercado financeiro e dos métodos de investimento. Durante os três anos do último ciclo de altas, investidores aproveitaram para manter os seus investimentos na renda fixa, com a queda da Selic pode surgir o questionamento se vale a pena permanecer com os investimentos ou não. Para especialistas, essa classe deve continuar apresentando bom retorno, visto que os juros continuam elevados e a inflação está em trajetória de queda.

 “Os investimentos atrelados ao CDI - ao menos o mais básico deles - não passam a render negativo devido à queda do CDI, mas rendem menos do que estavam rendendo antes”, comenta Felipe Tavares, assessor de investimentos na Dapes Investimentos. A redução da taxa Selic afeta diretamente os investimentos em renda fixa. Títulos como o Tesouro Selic e investimentos privados de renda fixa vinculados ao CDI têm seus ganhos influenciados pela taxa básica de juros. Felipe Tavares, explica que um CDB anteriormente rendendo 13,65% ao ano, quando atrelado a 100% do CDI, agora passará a render 13,15% ao ano após a queda da taxa.

Segundo o especialista, a diminuição dos rendimentos na renda fixa faz os investidores voltarem as atenções para o investimento em ações e fundos imobiliários. Os retornos mais expressivos levam muitos investidores a considerarem diversificar suas carteiras incorporando produtos de renda variável. A queda da taxa Selic implica em uma avaliação mais minuciosa das estratégias de alocação de recursos. Diversificar a carteira de investimentos é importante para obter resultados mais atraentes, mesmo com os produtos de renda variável e outras opções que não sejam afetadas pela taxa básica de juros.

“Investidores conservadores podem reduzir parte de seus investimentos em ativos atrelados ao CDI ou a SELIC, e redirecionar a ativos de inflação, sempre atento aos prazos, os de inflação costumam ser mais longos e/ou mais difíceis de resgatar. Ativos prefixados também podem ser uma boa opção, porém já notamos uma grande redução de ofertas muito atrativas desse tipo de taxa. Pessoalmente, não gosto de uma taxa de 11% ao ano prefixada muito longa quando temos opções de 6% ao ano corrigidos pela inflação. Qualquer "soluço" no IPCA já faz com que as taxas de inflação ganhem das "prés", além de uma proteção muito superior”, explica Felipe.

Dessa forma, a recomendação é que o investidor não abandone a renda fixa agora, afinal, segundo Felipe, há muitos títulos atrativos, especialmente os atrelados à inflação. Ele ainda comenta que é possível observar títulos bancários superiores a 6% ao ano, corrigidos pela inflação, que são bastantes seguros para aqueles que têm receio de que seus recursos percam valor ao longo do tempo

O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central e que reúne as projeções de bancos, consultorias, corretoras  e universidades, prevê que o ciclo de cortes na Selic continue. De acordo com as projeções, a taxa deve encerrar o ano em 11,75% e chegar a 9% em 2024. A redução da taxa Selic é uma realidade que demanda adaptação por parte dos investidores, uma vez que essa mudança afeta a rentabilidade dos investimentos.

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