"Não acredite em ganho rápido", diz especialista no mercado financeiro

Camila e Eduarda Haeckel, do Inspiração Invest, e Diego Mendonça, planejador financeiro - Arthur Mota/Folha de Pernambuco

A Folha Finanças entrevistou Diego Mendonça, agente autônomo de Investimentos certificado pela CVM/Ancord. Ele foi convidado por Camila e Eduarda Haeckel, do Inspiração Invest, parceiros deste blog.

Diego fala sobre a sua trajetória no mercado financeiro, os desafios no mercado de investimentos deixados pela pandemia da Covid-19, orientando ainda as pessoas que têm interesse em ingressar no mercado financeiro.

Além de ser agente autônomo de investimentos, Diego Mendonça é graduado em administração pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); planejador financeiro CFP, certificado pela Planejar; atuante no mercado de investimentos desde 2009; e lecionou cursos voltados para o mundo dos investimentos, com o Aprenda a Investir na Bolsa de Valores para mais de 1.000 alunos.

Confira a entrevista com Diego e todas as dicas!

Quando você entrou no mercado financeiro?

O mercado financeiro sempre me chamou muita atenção. No início eu me prendia à parte de poupança e renda fixa, pois na época as taxas eram bem atrativas.  Quando as plataformas de negociação online, conhecidas como Home Broker, começaram a se difundir um pouco mais, resolvi entrar na bolsa, no final de 2007. Ainda inexperiente nesse segmento do mercado, nunca imaginaria que uma enorme crise estivesse poucos meses à frente. Na época, lamentei. Hoje, vejo que o aprendizado daquela experiência foi extremamente positivo.

Qual foi o momento que você resolveu começar a trabalhar no mercado?

Em 2009 queria mais do que apenas investir, queria trabalhar com o mercado. Foi quando procurei a XP Investimentos para abrir um escritório no Recife. Na época, existiam dois escritórios da XP em Recife, quantidade máxima que a empresa desejava no momento. Com isso, entrei como sócio, com metade da participação, na Athena Investimentos, que tinha 3 meses de vida e dois anos depois, comprei a outra metade da empresa. Lembro do enorme desafio que foi, aos 26 anos, ser “dono” de todas as responsabilidades.

Qual sua visão sobre os novos entrantes da bolsa?

Em 2019 houve dois eventos que fizeram com que entrassem novos investidores na Bolsa: a melhora da perspectiva, após a aprovação da reforma da Previdência e a queda na taxa Selic, que fez com que alguns investimentos em renda fixa apresentassem um menor rendimento. Com a queda da rentabilidade, muitos investidores decidiram migrar para o mercado de ações. Essa migração de investimentos não é tão simples. O fato de você saber que não quer mais renda fixa, não significa que você quer investir em um mercado de alta volatilidade, mas muitos encararam desse jeito.

No começo da Athena, trabalhávamos basicamente com a parte de renda variável. Trabalhava na mesa de Renda Variável, monitorando as operações e passando as oportunidades para os clientes. Posteriormente, a XP passou a distribuir as outras categorias de investimentos, como: renda fixa, fundos, operações estruturadas, entre outros.

Com isso, o perfil do nosso cliente mudou, passaram a investir conosco em uma carteira conservadora, na maioria das vezes, sem investir no mercado de ações. A mesa de operações perdeu um pouco da relevância no escritório. Em 2020, a mesa de ações voltou a ganhar relevância. Muitos clientes que acreditavam saber investir, por terem vivenciado um momento favorável, começaram a sentir necessidade de estabelecer uma estratégia e de ter acompanhamento mais profissional. De fato, investir na Bolsa não é tão simples quanto parece.

Quais os reflexos da pandemia para os investidores?

No cenário pandêmico, tivemos uma mudança nos padrões. Além da queda das ações na Bolsa, tivemos uma queda expressiva nos ativos de renda fixa, para quem estava resgatando antes do vencimento. Estávamos acostumados a ter uma rentabilidade positiva e constante, mas passamos a ter fundos de renda fixa com rentabilidade negativa.

Os novos entrantes da bolsa, que estavam saindo da renda fixa pela baixa rentabilidade, tiveram um sentimento positivo no primeiro momento: até a pandemia, a bolsa vinha subindo de forma expressiva. Porém, muitos entraram sem ter perfil, influenciados por amigos, redes sociais e por insatisfação com a renda fixa. Tais clientes sofreram, porque estavam entrando em um mercado que não conheciam e viram suas posições passarem por extrema desvalorização. Muitos não aguentaram e resgataram as posições nos piores momentos, amargando grandes prejuízos.

Quais os conselhos que você daria para quem está começando?

Não acredite em promessa, nem em ganho rápido. Mesmo que você tenha feito um investimento com alto retorno no curto prazo, trate como uma exceção. Muitos clientes se interessam por day trade, operação de compra e venda no mesmo dia, acreditando que é possível obter grandes retornos consistentes. Acredito que esse mercado seja para pouquíssimos.

Na prática, nos 12 anos de mercado, não conheço nenhum investidor que conseguiu retorno no longo prazo. Para os que acreditam na estratégia do day trade, aconselho muita disciplina e, se possível, a separação dos recursos destinados a tais operações em uma conta diferente, pois é comum a persistência levar o investidor a perder todos os investimentos.

Apesar de o tema Investimentos ter ganho relevância nos últimos tempos, é fundamental que disponibilize um mínimo de tempo para adquirir conhecimento sobre o assunto. Estudar sobre o mercado financeiro não é do interesse da maioria dos brasileiros, recomendo, ao menos, a disponibilização de um mínimo de tempo para conversar com um profissional, para que ele possa explicar as alternativas mais adequadas ao seu perfil.

Quais os desafios para a indústria?

Sempre tem o que evoluir em relação aos serviços prestados. Iniciamos as operações na bolsa em 2009, mas começamos a oferecer outros serviços como planejamento financeiro, sucessório, tributário e previdência, além da parte de renda variável. Em 2020, ocorreu a fusão da Athena com a BGA investimentos, escritório também vinculado à XP, desde 2011, ou seja, juntamos as operações dos dois escritórios mais antigos da cidade com o intuito de adotarmos as melhores práticas e prestarmos um serviço ainda mais qualificado.

No novo momento, ultrapassamos o montante de R$ 1 bilhão de investidores pernambucanos. Apesar de ser um número pequeno, foi uma grande conquista.

A área de economia real também começou no ano de 2020. Dentre os serviços prestados, contamos com a parte de crédito para pessoa física e pessoa jurídica, estruturação de dívida, valuation, M&A e desenvolvimento imobiliário. O foco no cliente e o aperfeiçoamento contínuo são dois dos nossos pilares, o que nos faz buscar sempre uma melhoria nos serviços, para o atendimento das necessidades dos clientes.

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