O mundo financeiro também é feminino

Camila Haeckel, sócia da Athena-BGA Investimentos - Divulgação

A inserção feminina no mercado de trabalho brasileiro vem sofrendo transformações ao longo dos últimos anos. Mesmo que o avanço não esteja na mesma proporção do masculino, a presença das mulheres em alguns segmentos já pode ser facilmente observada, como no mercado financeiro. Segundo os dados da B3, a Bolsa de Valores do Brasil, compilados pela XP Inc., somente no ano passado a presença feminina na bolsa teve um crescimento de 118,1% na comparação com o ano de 2019, além de que elas representaram 26,2% das 3,2 milhões de pessoas físicas cadastradas ao longo de 2020.

O número de mulheres investidoras mais do que dobrou na bolsa brasileira, passando de 388 mil para 825 mil investidoras. Um dos motivos para tal avanço, se dá pelo maior alcance do assunto investimento, principalmente na renda variável.

Uma das mulheres que atua no mercado financeiro, é a influenciadora digital do canal Explica Ana e sócia da XP Inc., Ana Laura Magalhães. Segundo ela, é preciso que o mercado se identifique menos como exclusivamente masculino, para que possa atrair mais mulheres para o setor.

“Mulheres que entram tendem a ter referências masculinas como escalão de carreira. Você não encontra mulheres em cargos de referência, para que outras mulheres percebam, mas isso é algo estrutural, não só do mercado financeiro. Está melhorando aos poucos, com mais mulheres ingressando no mercado. As que entraram no mercado de finanças, hoje podem perceber mudanças significativas. Uma linguagem mais acessível facilita, é possível e não tão difícil usar a linguagem para atrair mulheres e pessoas mais jovens. Só se muda assim”, disse.

Uma das ações para incentivar e aumentar o número de mulheres no mercado financeiro é o programa da XP Investimentos, onde 50% dos cargos da empresa são destinados para as mulheres.

“A XP se comprometeu a diminuir a desigualdade, ter 50% de homens e 50% de mulheres até 2025. Agora começou um processo grande de entrevistas para ocupar cargos de consultorias. O mercado financeiro é mais masculino, mas pautado no resultado. Quando consegue metrificar quem entrega resultado melhor, o gênero fica menos importante. É possível ver quem é um bom assessor. Existem muitas mulheres em cargos relevantes no que fazem, o que falta é fazer ser comum, mas temos percebido uma evolução”, contou Ana Laura.

De acordo com Ana, para ingressar no mercado, é importante persistir no objetivo, além de não fazer investimentos que estejam fora do orçamento. “A palavra é persistência. Tem pessoas que confundem com teimosia, mas eu acredito que posso e vou mostrar que as pessoas estão erradas. A educação financeira é importante, ela tem que fazer parte do processo e ser um diferencial para o conhecimento. A educação é algo insubstituível, ninguém tira quando se adquire isso”, disse a sócia da XP.

Conta em banco
Mesmo as mulheres sendo a maioria da população brasileira, representando 51,7%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), elas só correspondem a 31% dos investidores do Tesouro Direito. Segundo a sócia da Athena-BGA Athena-BGA Investimentos e uma das líderes do grupo Mulheres do Mercado, na região Nordeste, Camila Haeckel, um dos motivos para a entrada tarde das mulheres no mundo dos investimentos, é por conta de só ter conta em banco e CPF desde 1962.

A sócia da Athena-BGA conta que para incentivar a presença feminina no meio, cursos para os jovens podem ajudar a fortalecer e aumentar o número de mulheres no segmento.

“A educação financeira das mulheres começou tarde, CPF tarde, a mulher está começando nesse processo. Uma das soluções é investir na educação de base, começando a fazer investimento cedo, trazer o tema para o jovem e crescer com essa mentalidade. A única forma de ganhar dinheiro é investir em ações, por isso no exterior tem isso. A mulher também precisa ter curiosidade de saber, entender e controlar o seu dinheiro”, contou Camila Haeckel.

Outra mulher que atua e busca incentivar a entrada de mais mulheres no mercado das finanças, é a educadora financeira Camila Guimarães. Segundo ela, uma das características femininas que mais permitem sucesso no meio, é a segurança e a certeza no que vai ser feito.

“O que existe muito é a diferença de comportamento, os homens são mais imediatistas, não são tão criteriosos. As mulheres não, nós somos mais calculistas, pacientes, tolerantes, isso é algo positivo. A maioria das mulheres que eu vejo entrar na bolsa vem quando tem algum respaldo financeiro. O mercado é um processo, você não tira dinheiro da noite para o dia, e elas querem um processo, não entram enganadas, quando compram um curso sabem que não compram um emprego”, destacou Camila.

A educadora financeira aponta ainda que é preciso dedicação por parte das mulheres que ingressam nesse meio.  “O mercado financeiro é um mar aberto, um ambiente onde qualquer pessoa pode entrar e fazer parte. Naturalmente pode entrar quem tem preparo e não tem, muitos entram porque têm coragem. Precisa de mais responsabilidade e entender que é um processo, precisa estudar sobre o assunto, ver o dinheiro como ferramenta de trabalho. Existe um percurso até que o lucro venha, isso vem com capacitação, persistência”, finalizou Camila Guimarães.

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