Terceiro setor como alternativa de igualdade

Eduarda Haeckel, do Inspiração Invest e Sonia Hess, vice-presidente do grupo Mulheres do Brasil e ex-presidente da Dudalina - Divulgação

A entrevistada desta semana da Folha Finanças é Sonia Hess, vice-presidente do grupo Mulheres do Brasil e ex-presidente da Dudalina. Ela foi entrevistada por Eduarda Hackel, do Inspiração Invest, parceira deste blog, publicitária com MBA em Marketing e cofundadora da Editora Inspiração.

Na entrevista, Sonia fala sobre a presença da mulher no mercado, as dificuldades de empreender no Brasil e a importância do apoio ao terceiro setor para que mais pessoas possam ter o próprio negócio.

Além de atuar na vice-presidência do grupo Mulheres do Brasil, Sonia é mentora do programa Winning Women Brasil, conselheira, embaixadora e mentora da Endeavor e Conselheira do Lide Educação, que apoia o Instituto Ayrton Senna.

Confira a seguir a entrevista completa com Sonia Hess.

A Dudalina é uma empresa familiar, fundada pelos seus pais, destaque no mercado nacional e uma das maiores empresas do mundo no segmento de vestuário de alto padrão. Quais as maiores dificuldades e aprendizados provenientes de uma empresa familiar para uma trajetória longeva e de êxito?

Estou fora da empresa há cerca de seis anos. É complicado porque não tenho como responder. Mas claro que ser empreendedor no Brasil não é uma coisa fácil, e ser empreendedor no ramo de confecção é bem desafiador. Como estou envolvida com o terceiro setor, inclusive, com o grupo Mulheres, o que eu posso falar é que empreender não é fácil e no Brasil é mais difícil ainda.

Não é uma questão só de burocracia. É uma  dor, complicado, mas também nesse momento tão difícil, imagino que estamos em um momento complexo, com lojas fechadas, segmentos indo bem e outros parados. Eu tenho muito respeito pelos empreendedores.

Você é considerada uma das mulheres mais poderosas e bem sucedidas do país. Faz parte dos conselhos curadores. Para você, qual a importância da dedicação a projetos voltados para o terceiro setor?

Desde sempre eu olho para o terceiro setor, que tem uma força fantástica no Brasil e no mundo, principalmente aqui. A cada centavo que a sociedade civil investe no terceiro setor em qualquer frente, eu acredito que o governo em uma contrapartida deve investir no mínimo dez vezes mais. O dinheiro é tão bem investido. O terceiro setor é bem estruturado. Quem vai é para formar, levar esperança através de transformação na realidade. É a força motriz desse país.

Agora nessa pandemia, vemos muita gente passando fome, um movimento da sociedade civil para arrecadar e entregar cestas básicas, e aliviar esse peso que se transformou de não ter emprego. Faço parte do Conselho do Grupo Amigos do Bem, na região do Catimbau, e que tem todo cuidado de levar, e levar em um momento onde as pessoas não tem o que comer, beber. Só o terceiro setor tem esse olhar de compaixão. Acho que com esse sentimento e com o amor a gente pode transformar o mundo. Estamos em um movimento em São Paulo para arrecadar alimentos. Não tem nada pior do que a sociedade civil não se movimentar nesse momento. Agora, o objetivo é combater a fome.

Como você enxerga a posição das mulheres no mercado de trabalho atual, entre conquistas e objetivos a serem alcançados?

Estamos em um momento que nunca tivemos, nesses últimos dois, três anos, do movimento de grandes companhias de dar espaço para mulheres, negros, mulheres, LGBT, tem uma luz, um farol muito grande. As empresas que não olharem para esses movimentos vão perder e muito.

A mulher é a maior consumidora, e a sociedade está olhando isso, não com compaixão, as pessoas estão preparadas, que se não abrir os olhos, você não vê se é negro, homem ou mulher. Esse novo olhar está começando a acontecer de forma estruturada, porque a sociedade civil está vendo. Mais do que nunca a empresa vai ter que se adaptar. Não tem como fugir disso.

Diante da importância crescente do papel da mulher na sociedade, em especial na área econômica, o Grupo Mulheres do Brasil, desde 2013; vem trabalhando fortemente para ser protagonista dessas e outras mudanças, com o objetivo de estimular a participação feminina na construção de um Brasil que seja melhor para todos os cidadãos. Quais as principais ações do Grupo Mulheres do Brasil e sua representação Brasil afora?

O Grupo começou há sete anos e meio. Começamos com 40 mulheres, passando de 80 mil mulheres. Tudo que falar que a mulher ou família envolvida, a gente tem um comitê defendendo igualdade racial, turismo, esporte, violência contra mulher, causas LGBT, tudo que pensar sobre o Brasil, é só entrar no nosso site, e ver todas as causas. São mais de 150 núcleos que nós temos. Estamos em 150 cidades, sendo 133 no Brasil e o restante no mundo.

Queremos transformar um Brasil melhor para todos e todas, somos maioria, e queremos transformar, ser protagonistas. Somos a favor das mulheres. Não inventamos a roda. Apoiamos as causas de todos os segmentos. Queremos com leveza, diálogo, fazendo as transformações que o Brasil precisa.

Através de seu espírito inovador e empático, você é responsável pela criação do Fundo Dona de Mim, que fornece microcrédito para mulheres empreendedoras individuais, especialmente impactadas pela crise econômica e social provocada pela pandemia da Covid-19. Fale um pouco desse importante projeto.

O Fundo ele surgiu durante a pandemia, em maio do ano passado, quando uma garota que dou mentoria, e a mãe dela cozinha e ela entrega de bicicleta, só tinha uma geladeira em casa, só que não tinha acesso a crédito, como a grande maioria dos brasileiros que não tem. Eu chamo essas mulheres de mulheres invisíveis.

Havia um banco pequeno de microcrédito, que tinham um dinheiro para devolver e perguntei se tinham como fazer o projeto, já que eram digitais, e surgiu a ideia de começar o microcrédito para essas mulheres, que precisavam de ajuda e em 50 dias colocamos de pé. Fui atrás das mulheres que se interessassem pelo assunto e quisessem contribuir. Tivemos mulheres que contribuíram. Isso realmente fez toda diferença. Conseguimos até agora atender 485 mulheres e agora o banco BTG colocou à disposição um crédito social de R$ 3 milhões para atender até mais 1 mil mulheres, e colocamos para dentro mais de 600 mulheres que receberam.

A gente quer ensinar a como fazer, a se capacitar nos cursos da Rede Mulher Empreendedora, que disponibiliza cursos para se capacitar. É para ela também ter o acesso à educação. Normalmente não tem muito essa habilidade financeira. Tudo na vida temos que aprender e o que queremos é dar a oportunidade de aprender. Ela recebe um certificado e depois elas são mentoras. É muito interessante trazer a sociedade civil para o palco para que a transformação aconteça, mas com todos os envolvidos. Temos que matar a fome das pessoas. A gente tem também que cuidar  com o terceiro setor levando conhecimento.

A corrente do bem não pode nunca ser quebrada. É a mais forte do mundo. O microcrédito é a cristalização da esperança para tirar da sina da pobreza. Ele abre as portas principalmente para as mulheres que são as provedoras das casas. Ela é decidida. Vai atrás, tem histórias lindas.
 

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