Brincadeira não só de criança

É tempo também de lembrar esse período mágico de nossas vidas, que nos acompanha sempre

Brincadeira de Criança - Greg/Arte Folha de Pernambuco

Quinta-feira passada, 12 de outubro, homenageamos todas as crianças. E eu, especialmente, meus netos queridos - Luiza, Leticia, José e Antônio. E os filhos que, para mim, serão sempre crianças. É tempo também de lembrar esse período mágico de nossas vidas, que nos acompanha sempre. Cada um de nós guarda na memória, histórias que ouviu de pais, avós ou tias. E brincadeiras que tentamos reproduzir com nossos netos. Ensinei a Luiza, nossa neta mais velha, quando ela tinha apenas cinco anos, a dizer bem rápido: “Quem a paca cara compra/ A paca cara pagará”. Quanto mais repetia, e menos ela entendia. Esse desafio de pronunciar tudo bem ligeirinho, sem tropeçar nas letras, toda criança do meu tempo conhecia. É chamado trava-língua ou parlenda. Luíza só não sabia, e seu avô teve que ensinar, que essa frase ficou famosa na cantoria. Em uma peleja proposital - dessas que só param quando um cantador desiste, pondo a viola na mesa da bandeja. Segundo a lenda, o cego Aderaldo acabou com Zé Pretinho ao pedir que ele fosse repetindo: primeiro, “Quem a paca cara compra/ A paca cara pagará”; depois, “Paca cara pagará/ Quem a paca cara compra”; e, no fim, “Quem a paca cara compra/ Pagará a paca cara”. Dizem que Zé Pretinho endoidou. Mas a história talvez não tenha sido bem assim. Que, segundo José Paulo, quem escreveu o desafio foi Firmino Teixeira do Amaral, não por acaso cunhado do cego. E quem escreve o cordel, todo mundo sabe, ganha sempre. 

Seja como for o trava-língua já deixou, hoje, de ser apenas brincadeira de criança. Ou desafio de cantador. Passou, inclusive, a ser estudado na cadeira Linguistoterapia de algumas universidades portuguesas. Por ser considerado importante nos “exercícios de dicção, lição contra a gagueira e eficiente para a autoestima - ajudando aos interessados a soltar a língua e aprender a falar bem”, segundo o saudoso jornalista Duda Guennes (Trava-lingua, no jornal A Bola, em 15/06/2004). Muitos outros trava-línguas acabaram famosos: “A aranha arranha o jarro, o jarro arranha a aranha/ A aranha não arranha o jarro porque o jarro não arranha a aranha”; “O sapo dentro do saco/ O saco com o sapo dentro/ O sapo batendo o papo/ E o papo cheio de vento”; “A sábia não sabia que o sábio sabia que o sabiá sabia assobiar”; “ O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem, O tempo respondeu ao tempo, que o tempo tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem”. E, o que mais nos interessa por agora, alguns que referem alimento:

A babá boba bebeu o leite do bebê.
Atrás da pia tem um prato, um pinto e um gato; pinga a pia, apara o prato, pia o pinto e mia o gato.
É preto o prato do pato preto.
Farofa feita com muita farinha fofa faz uma fofoca feia.
O caju do Juca e a jaca do cajá; o jacá da Juju e o caju do Cacá.
O Papa papa o papo do pato. 
Pirarei com um purê de salsicha suja.
Quico quer caqui. Que caqui que o Quico quer? O Quico quer qualquer caqui.
Se o Papa papasse pão/ Se o Papa papasse papa/ Se o Papa papasse tudo/ Seria um Papa papão.
Trazei três pratos de trigo para três tigres tristes comerem. 
Um prato de trigo para um tigre, dois pratos de trigo para dois tigres, três pratos de trigo para três tigres...
Um prato de papa dentro do papo do Papa.
O doce perguntou ao doce, qual o doce mais doce que o doce de batata-doce. O doce respondeu ao doce, que o doce mais doce que o doce de batata-doce, é o doce de doce de batata-doce.  

Esperando que todas as crianças do mundo tenham tido um feliz Dia das Crianças! E haverá algum dia, nesse mundo de Deus, que não deva ser das crianças? 

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