O bom senso do uso do sal
Semana passada, O Globo publicou matéria alertando para o excesso de sal consumido pelo brasileiro. Em média, entre 9,3 e 14 gramas por dia. Bem mais do que o limite de 5 gramas recomendado pela Organização Mundial de Saúde. É que o consumo em excesso pode provocar hipertensão, que leva a infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal. Sem contar que o hábito de adicionar sal extra na comida já pronta apresenta risco 41% maior de desenvolver câncer de estômago.
Hoje, nas prateleiras de todos os supermercados, estão muitos tipos de sal. Prometendo benefícios para a saúde. O problema é que a composição básica é a mesma. O Sal Refinado (comum) – é rico em sódio e cloreto. O Sal Marinho – passa por menos processo químico, mas tem nível de sódio similar ao refinado. O Light, contem menos sódio, mas é misturado com cloreto de potássio o que não é recomendado para doentes renais. E o Sal Rosa do Himalaia – possui outros minerais, mas em quantidades que não trazem maiores vantagens.
Bom lembrar que nenhum alimento tem mais simbolismo que esse sal. Desde as mais antigas civilizações, o recém-nascido é banhado nele como proteção para as dores do mundo – crendice oriental, depois aproveitada nas cerimônias cristãs do batismo. Salgar a terra é retirar dela fertilidade e futuro. Derramar sal traz mau agouro – assim foi representado por Leonardo da Vinci, na Santa Ceia, quando ele entornou um saleiro diante de Judas.
Diz-se que se conhece bem alguém quando comem, juntos, 30 kg de sal. Ao longo de 30 anos, claro. E sem sal é aquele que tem pouca vida; embora, com sal demais, o sujeito possa acabar sem vida nenhuma. Em Roma, chegou a ser usado como moeda. Legionários eram remunerados com sal, ou dinheiro para sua aquisição daí vindo a própria palavra salário (sal-arium).
O caminho por onde chegavam as caravanas trazendo sal, a Via Salária, é, ainda hoje, um dos principais acessos a cidade. Na Idade Média era guardado em potes artisticamente decorados, colocados à mesa de refeições; quanto mais longe dele, menos importância tinha o comensal.
O sal não é um vilão total. Ao contrário. Ninguém tempera sem usar sal. Ninguém vive sem sal. O problema é o excesso. Sua exclusão total e radical também é perigosa e pode causar danos a saúde. Vale, então, o bom senso. Em dúvida faça como na vida. Seja prudente. Use sal com moderação.



