Sabores da Independência (final)

No encerramento deste mês de setembro, a receita é Perdiz à moda do Alentejo

Sabores da Independência - Greg / Arte Folha de Pernambuco

Com a queda de Napoleão, já não havia razão para o exílio da Corte portuguesa no Brasil. E a família real, afinal, voltou a Portugal. Dom Pedro ficou por aqui mesmo. E se tornou Príncipe Regente. Casou-se com Carolina Josefa Leopoldina, arquiduquesa da Áustria - filha do Imperador Francisco I e líder do Império Austro-Húngaro. Era irmã de Maria Luísa, segunda esposa de Napoleão. Uma ironia. Que D. Pedro tornou-se concunhado do homem que obrigou sua família a uma fuga humilhante, de Lisboa. Seja como for, D. Leopoldina era uma mulher culta e refinada. Amiga do poeta alemão Johann Goethe e do compositor austríaco Franz Schubert. 

Dizem que ficou deslumbrada quando viu o noivo que lhe fora prometido. Tanto que registrou, em seu diário, a emoção da primeira refeição que tiveram - “Conduziu-me ao salão de jantar, puxou a cadeira e, enquanto comíamos, piscou-me o olho e enlaçou a perna dele na minha debaixo da mesa”. O jantar, servido sempre entre uma e duas horas da tarde, era naquele tempo a mais importante das refeições. No cardápio cordeiro, palmito, perdiz, pombo e “galinha mourisca” - pedaços de galinha, frita em toucinho; depois cozida no vinho, junto com salsinha, hortelã, louro e coentro, tudo sobre fatias de pão e coberto com ovos cozidos polvilhados com canela. Também doces (de pera e de pêssego), queijos e tâmaras, trazidos de Portugal. 

O Rio já tinha, por essa época, um vasto rebanho de vacas leiteiras. Mas a Corte continuou preferindo manteiga irlandesa, salgada e rançosa. Nas mesas nobres logo os pesados pães locais, feitos com farinha de mandioca ou milho, passaram a ser substituídos pelos de trigo - sobretudo a partir da chegada da Missão Artística Francesa encabeçada por Debret. Passou, então, a ser conhecido como pão francês. A refeição era regada com vinhos Carcavelos, do Porto e Madeira. Dom Pedro não se contentou apenas com D. Leopoldina. Amantes, teve muitas. Entre elas a dançarina Noemi Thierry e Domitila de Castro Canto e Melo, futura Marquesa de Santos, com quem teria 4 filhos (entre esses uma filha que acabou Duquesa de Goiás). Não era bonita, nem de família nobre.

E já tinha se separado do marido - que, com toda justiça, a acusava de lhe ter sido infiel. Ao todo teve, D. Pedro, 18 filhos. Todos oficialmente registrados. Dona Leopoldina, coitada, acabou morrendo. De tristeza. Domitila pensou que iria casar novamente. Mas D. Pedro preferiu D. Amélia - uma bela princesa alemã. Depois foi embora deixando aqui D. Pedro II, seu filho, nomeado imperador. No íntimo carregando a certeza de que passaria à história não pelos muitos filhos que teve, nem pelo seu gosto por uma boa mesa, mas sobretudo por ter proclamado a independência daquela terra que aprendeu a gostar como se fosse sua própria pátria.

RECEITA: PERDIZ À MODA DO ALENTEJO
INGREDIENTES:
4 perdizes
250 g de fatias de bacon
4 colheres de sopa de manteiga
Vinagre
Sal e pimenta
PREPARO:
Tempere as perdizes com sal e pimenta. Envolva cada uma com fatias de bacon. Asse em forno bem quente.
Quando estivem assadas, retire o bacon e corte em pedaços grandes (junto com o osso). Coloque os pedaços em frigideira com a manteiga, e asse até que dourem. Regue com vinagre. Retire do fogo, coloque em travessa junto com o molho que se formou e sirva.

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