Sáb, 08 de Agosto

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À espera de um lar: pets adultos sofrem mais rejeição na hora da adoção

Preconceitos ainda afastam adotantes e prolongam a permanência de animais mais velhos em abrigos

Pérola, de 7 anos, já é considerada "velha" para o padrão de animal procurado para adoçãoPérola, de 7 anos, já é considerada "velha" para o padrão de animal procurado para adoção - Cortesia

Animais adultos possuem menores chances de adoção, é fato. Em abrigos, são os menos escolhidos e em lojas que vendem animais, às vezes, nem são ofertados por não estarem no padrão de venda, que é de filhotes.

Por isso, eles são maioria dentre os que estão em situação de abandono e minoria nas buscas por possíveis adotantes. Contudo, cães e gatos adultos são, na maioria dos casos, animais de mais fácil adaptação à vida de uma pessoa adulta.

A pesquisa "Panorama da Adoção no Brasil – ONGs", encomendada pela GoldeN e pelo Instituto de Medicina Veterinária do Coletivo (IMVC), realizada pelo Opinion Box e divulgada em 2026 ouviu instituições de proteção animal de todo o país e mostrou que a idade é um dos principais fatores que dificultam a adoção. Ao menos essa é a percepção de 81% das ONGs entrevistadas. 

Segundo o levantamento, filhotes são favoritos, enquanto animais adultos e idosos permanecem por mais tempo nos abrigos. A pesquisa também aponta que muitos adotantes ainda priorizam critérios estéticos, como idade, porte e cor da pelagem, o que torna cães e gatos idosos praticamente "invisíveis" nas campanhas de adoção.

Laila Cavalcanti, mantenedora do Abrigo Projeto Amor Sem Fronteiras (@_projetoamorsemfronteiras), vivencia cotidianamente a rejeição dos animais mais velhos em seu abrigo, que são os menos escolhidos. Segundo Laila, esse comportamento vem, na maioria das vezes, do preconceito.

“Muita gente tem preconceito de achar que cães adultos não se adaptam ou então que não dá para educar cães adultos”, contou.

Há quem diga que o cão adulto fica menos brincalhão que um filhote. Mas é preciso lembrar que a fase filhote passa bem rápido.

“A fase filhote é uma delícia, com as trelinhas, o latido fino, mas as pessoas olham um cão filhote e querem adotar porque são fofinhos e não percebem que eles crescem", comentou. 

A saúde dos animais adultos ou idosos também é levada em consideração na hora de rejeitar o pet.

"Eles não percebem que isso é muito relativo. Você pode pegar um filhote e ele ter uma doença incubada, adoecer e falecer. As pessoas se prendem muito e não pensam que o animal adulto é um animal que vai morrer em um abrigo sem ter a chance de ter uma família", explicou Laila.  

Os animais mais velhos frequentemente passam meses ou até anos nos abrigos, vendo outros companheiros encontrarem uma família enquanto permanecem para trás. Para quem trabalha com proteção animal, essa é uma das faces mais dolorosas da adoção.

“As adoções são piores para animais velhos. E quando digo velhos não é nem 10 ou 11 anos. Temos um cachorro, o Cabuloso, que é super sociável com crianças, com outras pessoas. Quando chega visita no abrigo ele literalmente implora para ser levado, é de dar pena. E ele tem na faixa dos 9 anos e ninguém nunca adotou ou se interessou por ele. Ele foi resgatado em 2021 e está todos esses anos aqui. Fora os cachorros de 6, 7 anos, que ninguém se interessa”, lamentou Laila. 

Cabuloso está desde 2021 no abrigo - cortesia
Cabuloso está desde 2021 no abrigo - cortesia

Amor Sem Fronteiras
Laila, com 24 anos, e seu pai, com 60, começaram a atuar com proteção animal criando comedouros e bebedouros com canos de PVC para animais em situação de rua. 

"A gente começou como um projeto de oferecer o básico para animais de rua, mas após uma ameaça de morte a alguns animais em situação de rua nós decidimos alugar um espaço e levar os animais ameaçados para lá", contou Laila. 

O abrigo conta com cães e gatos, de tamanhos, idades e temperamentos variados. Todos disponíveis para adoção. Para a adoção, é preciso passar por uma entrevista que visa apresentar como é o animal e se ele se encaixaria bem na casa do provável tutor.

“A gente acredita muito que para ter uma adoção não pode ser uma adoção de qualquer jeito. A gente quer que o animal seja membro da família", contou Laila. 

Pessoas interessadas em algum animal ou em conhecer o abrigo podem entrar em contato pelo instagram. 
 

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