A saúde respiratória dos gatos merece atenção
O CRF manifesta-se através de espirros, secreção nasal e ocular, conjuntivite e, no caso do caliciví
A saúde respiratória dos gatos é um tema de extrema relevância na medicina veterinária, pois problemas nessa área podem comprometer permanentemente a qualidade de vida do animal. O que muitas vezes começa como um simples "espirro" pode esconder o Complexo Respiratório Felino (CRF), um conjunto de infecções altamente contagiosas causadas principalmente pelo herpesvírus felino (FHV-1) e pelo calicivírus (FCV).
A gravidade dessas condições é evidenciada por dados epidemiológicos: de acordo com o European Advisory Board on Cat Diseases (ABCD), até 80% dos gatos infectados pelo herpesvírus tornam-se portadores latentes, podendo apresentar recidivas em momentos de estresse.
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O CRF manifesta-se através de espirros, secreção nasal e ocular, conjuntivite e, no caso do calicivírus, úlceras orais extremamente dolorosas que podem impedir o animal de se alimentar e beber água. Em ambientes com múltiplos animais, a prevalência do calicivírus pode chegar a 40%, facilitando uma disseminação rápida.
“O Herpesvírus felino tem predileção pelo trato respiratório, causando sinais clínicos como espirros, secreção nasal/ocular e conjuntivite. Por ser um vírus que permanece no organismo e pode reativar em momentos de estresse, muitos gatos acabam desenvolvendo rinites crônicas, ceratites e úlceras de córnea, com risco de perda da visão”, explica Kathia Soares, médica-veterinária da MSD Saúde Animal.
Segundo a especialista, a perda de olfato resultante de lesões crônicas é crítica, já que os felinos dependem desse sentido para interagir e se alimentar
Rastreio e diagnóstico
Quando os sintomas respiratórios persistem por mais de quatro semanas, a doença é considerada crônica.
Um estudo realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) investigou as causas dessas afecções e revelou que a Rinossinusite Crônica Idiopática (RSCI) é a causa mais frequente, representando 56,8% dos casos analisados de CRF. Esta condição é caracterizada por inflamação persistente, muitas vezes resultante de danos estruturais prévios causados por vírus, perpetuados por infecções bacterianas secundárias.
Além da RSCI, o estudo destacou a importância das neoplasias nasais (24,3%), das rinites fúngicas (8,1%) — como a criptococose e a esporotricose — e de alterações estruturais, como a presença de corpos estranhos. É importante notar que gatos que vivem em lares com múltiplos animais têm uma associação estatística significativa com o desenvolvimento de RSCI.
Embora espirros (94,6%) e secreção nasal (91,9%) sejam comuns a várias doenças, certos sinais funcionam como "bandeiras vermelhas".
O estudo da UFRGS aponta que a presença de secreção nasal sanguinolenta (epistaxe), deformidades faciais e diminuição do apetite são fortes indicadores de etiologias mais graves, como neoplasias ou infecções fúngicas, e não apenas de uma rinite inflamatória comum.
O diagnóstico das doenças nasais em felinos é um verdadeiro desafio terapêutico. A abordagem ideal exige uma combinação de técnicas: desde o exame físico minucioso da face e cavidade oral até exames de imagem avançados. O exame radiográfico de crânio é frequentemente utilizado para avaliar a opacificação da cavidade nasal e a perda de definição dos ossos turbinados. Contudo, a tomografia computadorizada é considerada superior por oferecer melhor definição da extensão da doença sem as sobreposições anatômicas do raio-X.
Em muitos casos, a rinoscopia e a coleta de biópsias para análise histopatológica são cruciais para diferenciar uma inflamação crônica de um tumor maligno. Culturas bacteriológicas também são realizadas para identificar agentes como Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus spp., que frequentemente complicam o quadro clínico.
O papel vital da vacinação
A estratégia mais eficaz para garantir a saúde respiratória é a vacinação, que deve ser iniciada preferencialmente às 9 semanas de vida. Vacinas múltiplas protegem contra a Rinotraqueíte, Calicivirose e outras doenças graves.
Vacinar não é apenas prevenir doenças agudas, mas promover um futuro com bem-estar, preservando as vias aéreas de sequelas permanentes que podem durar a vida toda. Consultas regulares ao médico-veterinário para check-ups e atualização dos protocolos vacinais são o pilar para uma vida longa e saudável para os felinos.



