Após um mês, investigação de crime contra gatos na Beira-Rio ainda não foi concluída

O homem é suspeito de torturar e matar cinco animais - Reprodução/Instagram

Vinte e sete dias se passaram desde o crime de maus-tratos contra cinco gatos, filhotes e adultos, na região da avenida Beira Rio, no bairro da Madalena, na Zona Oeste do Recife. E, até agora, não há uma resposta da Polícia Civil de Pernambuco a respeito do caso, que está sendo investigado pela Delegacia de Polícia do Meio Ambiente (Depoma). Em nota, assessoria de comunicação do órgão disse que a delegada responsável, Isabela Veras, apenas se pronunciará após a conclusão do inquérito. 

O crime aconteceu na madrugada do dia 9 de fevereiro e foi flagrado pelas câmeras de segurança instaladas na área pela ex-vereadora do Recife Goretti Queiroz, que bancou os equipamentos com recursos próprios, no intuito de coibir os recorrentes crimes de maus-tratos aos animais que vivem nas redondezas da Beira-Rio. 

As imagens mostram claramente quando o homem chega em um carro branco e começa a mexer com os animais. Ele chuta um dos felinos, que fica no chão.

Momento em que o homem pisa em um dos gatos, o espremendo contra o canteiro. Foto: Reprodução/Instagram

Depois, pega outro pelo rabo e aperta o pescoço dele com o pé. De acordo com os registros das câmeras, ele ficou no local das 3h15 até às 4h07.  Durante esse tempo, apertou e suspendeu vários animais pelo pescoço. Na manhã seguinte, quatro gatos ainda filhotes e um adulto foram encontrados mortos. 

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O crime foi denunciado três dias depois, pelo Projeto Independente Gatinhos Urbanos, que atua na proteção e cuidados aos felinos largados na Beira-Rio, uma área conhecida como ponto de desova, há muito sem qualquer intervenção do poder público. 

As protetoras registraram o ocorrido e forneceram todas imagens das câmeras à Polícia, que, embora não confirme, já ouviu testemunhas e o próprio suspeito do crime. 

Sentado em um banco, ele suspende um felino pelo pescoço. Foto: Reprodução/Instagram

Também partiu das administradoras do Gatinhos Urbanos a iniciativa de tornar o fato público, gerando repercussão até fora do Estado, dada a crueldade do ato.

A partir dos compartilhamentos nas redes sociais, o suspeito foi identificado. Aguns familiares dele, inclusive, chegaram a ameaçar administradoras do Gatinhos Urbanos, que registraram outra denúncia.  

Apesar de várias páginas estamparem nome e imagem do possível envolvido no crime, a identidade dele ainda não foi confirmada pelas autoridades por questões legais.

Lei 
Além do Projeto Independente Gatinhos Urbanos, outros ativistas engrossaram o coro para pedir punição exemplar, uma vez que a histórica impunidade para os casos de maus-tratos acaba dificultando o combate a esse tipo de conduta.

No ano passado, inclusive, a lei que pune quem pratica atos de maus-tratos contra cães e gatos foi enrijecida, com pena de dois até cinco anos de reclusão, podendo ter aumento de 1/6 a 1/3 se houver morte do animal, como aconteceu nesse caso, além de multa. 

Questionada sobre a participação na cobrança por uma resolução desse caso, a Secretaria de Defesa dos Animais do Recife (SEDA), que só encaminhou ofício solicitando a instauração do inquérito pela Depoma seis dias após o ocorrido, disse, em nota, pedir que sejam adotadas as providências cabíveis. 

"Se constado algum crime, a secretaria cobra que se aplique a legislação vigente. A SEDA segue acompanhando desfecho do caso”, registra o documento.

Também por meio de nota, a gestão municipal disse ter solicitado um reforço na fiscalização da área da Beira-Rio junto à Guarda Municipal do Recife, bem como a intensificação do trabalho do Centro de Vigilância Ambiental (CVA) na castração dos animais. 

Os protetores que atuam na região, contudo, disseram não terem notado melhora na segurança local, tampouco aumento no fluxo de coleta dos bichanos para esterilização. 

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