Devolução de animais adotados aumenta durante a pandemia; abandono cresceu 61%

A empolgação acaba passando na frente de algumas responsabilidades com o pet para alguns adotantes

Peter, cachorro devolvido após a adoção - Projeto Adote um Animal de Rua / Divulgação

A adoção de animais sofreu um "boom" no início da pandemia da Covid-19. Motivo: solidão, isolamento, necessidade de companhia e distração. Não há companhia mais dedicada que um pet. De acordo com a União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), houve um aumento de 400% na procura de animais para adoção durante a pandemia. Contudo, nem sempre as pessoas consideram toda a responsabilidade sobre cuidar de um pet ou possuem condições de manter o animal. Por isso, assim como a adoção de animais aumentou, a desistência também. Segundo a Ampara Animal, o abandono de pets cresceu 61% entre junho de 2020 e março de 2021. 

Na Região Metropolitana do Recife (RMR), os projetos de resgate e adoção de animais "Abrigo de Seu Alberto" (@abrigodeseualberto), "Abrigo Amigo Bicho" (@abrigoamigobicho) e "Adote Um Animal de Rua" (@adoteumanimalderua) também registraram a mesma movimentação com relação aos tutores que adotaram e desistiram de animais dentro do período da pandemia. 

"No início da pandemia, quando aconteceu o primeiro lockdown, a grande maioria das pessoas que passaram a trabalhar em home office e principalmente os casais ou pessoas que moram sozinhas sentiram a necessidade de uma companhia, a procura por adoção realmente aumentou. Mas, da mesma forma, também aumentaram os abandonos. Pessoas que já tinham animais de estimação, que chegaram a ficar desempregadas ou algo do tipo se desfizeram deles com mais frequência que o habitual", informou Eduarda Assunção, do Abrigo Amigo Bicho, em Jaboatão dos Guararapes. 

O momento de maior devolução de pets para o Abrigo Amigo Bicho foi quando o trabalho voltou a ser presencial pela primeira vez desde o início do lockdown. "Pessoas que estavam em home office voltaram a trabalhar fora de casa e diziam não ter tempo pra cuidar dos animais, ou que o animal não estava se adaptando a ficar sozinho em casa, coisas do tipo. Mas tudo é questão de adaptação. Obviamente o animal precisa de um tempo pra entender que a família que antes estava 24h em casa, fazendo companhia, agora vai estar em tempo reduzido. Certamente, se os adotantes tivessem paciência, dedicação e amor pelos bichinhos adotados, passariam pelo processo de adaptação e ficaria tudo bem", informou Eduarda. 

Celeste foi devolvida para o Abrigo Amigo Bicho, em Jaboatão dos Guararapes
Celeste, cadela devolvida para o Abrigo Amigo Bicho 
 

Celeste, cadela devolvida para o Abrigo Amigo Bicho

A empolgação sobre o tempo disponível em casa e a necessidade de companhia acabaram passando na frente de algumas responsabilidades com o animal para alguns adotantes. É Necessário, quando for optar por adotar um animal, levar em consideração todos os cenários possíveis de uma vida com o pet, tanto os positivos quanto os negativos. 

Para ajudar os possíveis adotantes na hora de decidir por ter um animalzinho ou não, os projetos de adoção e resgate realizam questionários e entrevistas. No Projeto Adote um Animal de Rua, do Recife, por exemplo, o questionário conta com restrição de idade da pessoa responsável pelo animal, que precisa ser acima de 21 anos, pergunta se a casa já conta com outro pet e levanta questões sobre o abandono do animal em caso de gravidez. 

Mesmo com todos esses cuidados na hora de autorizar a adoção, o projeto está recebendo alguns animais de volta. "Eu estou tendo muitas devoluções, e eu sou uma das protetoras mais rigorosas. Faço entrevista, peço foto da casa do possível tutor, peço vídeo da casa, e, mesmo assim, estou tendo devoluções", informou Patrícia de Aquino, do Adote Um Animal de Rua.

Peter foi devolvido para o Projeto Adote um Animal de RuaPeter foi devolvido para o projeto Adote Um Animal de Rua
Peter foi devolvido para o projeto Adote Um Animal de Rua

Dentre as justificativas para a devolução de animais estão a mudança no cotidiano (demandar tempo para cuidar do animal, bagunça que o animal possa fazer...), falta de dinheiro para a manutenção do pet e falta de adaptação ao ambiente de moradia do tutor. 

Talita Silva Marin, voluntária do Abrigo de Seu Alberto, relatou que a maioria dos animais devolvidos para o abrigo no período da pandemia tiveram motivação financeira. "Algumas pessoas perderam o emprego, tiveram que se mudar de suas casas", informou. Ela ainda comentou que foram devoluções atípícas, pois os animais não foram devolvidos logo após a adoção, por não se adaptarem ao ambiente, mas muitos meses depois.  

Lupe, cachorro que foi devolvido para o Abrigo de Seu Alberto
Lupe foi devolvido para o Abrigo de Seu Alberto
Lupe foi devolvido para o Abrigo de Seu Alberto

A ajuda com veterinário e ração, em caso de tutores com necessidades financeiras, é oferecida pelo Abrigo de Seu Alberto para adotantes de lá. "Como estamos sempre em contato com os adotantes, pudemos ajudar algumas famílias que passaram necessidades, como por exemplo um cãozinho que precisou fazer uma cirurgia", comentou Talita. 

Para evitar a devolução de animais adotados, é preciso manter a atenção para todas as necessidades que o pet terá e que serão do tutor após a adoção. "Ao fazer a escolha de ter um pet em casa, é preciso ter em mente que essa deverá ser uma adoção responsável, ou seja, que o animal precisará de cuidados assim como nós, seres humanos. O lado emocional do bicho também deve ser levado em consideração, já que o abandono pode trazer sequelas comportamentais e até mesmo de saúde em cães e gatos", diz o médico-veterinário da Zoetis Alexandre Melo. 

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