Dicas para cuidar de pets vítimas de enchentes

Controle parasitário é crucial

Animal recebendo soro - AdobeStock

A tragédia que acomete o Rio Grande do Sul gerou um contingente de pets vulneráveis. Tanto os animais que já viviam em situação de rua quanto os que tinham tutores foram expostos às enchentes que atingiram o estado. Os cuidados que precisam ser tomados para que esses animais se recuperem da exposição às águas vale não só para gaúchos, mas para qualquer tutor que enfrente uma situação de inundação com seu pet. 

No Recife, por exemplo, chuvas costumam gerar alagamentos em diversos pontos da cidade. Pets expostos precisam de cuidados especiais. 

Logo após o resgate dos animais, a prioridade é estabilizar os sinais vitais: alimentação, água e aquecimento para amenizar o efeito do tempo em que esses pets ficaram expostos à chuva e ao frio. Se esses primeiros cuidados não forem tomados, o cão ou gato pode apresentar quadros de desidratação, hipoglicemia e hipotermia.

É indispensável a consulta veterinária para o pet ter uma avaliação completa de sua saúde. Dependendo do tempo de exposição do animal, pode ser receitada a fluidoterapia intravenosa para equilibrar os sinais vitais, acrescida de glicose e potássio caso o animal tenha dificuldades na ingestão ou absorção de alimentos. 

Assim que os animais são estabilizados, é preciso tomar as medidas preventivas básicas, considerando a exposição que tiveram à água e por estarem em ambientes coletivos.

“O controle parasitário – pulgas, carrapatos e vermes – é primordial e básico para a recuperação da saúde. Medicamentos de ingestão oral trazem resultados mais rápidos, e a colaboração de empresas e doadores tem sido essencial. Já a recuperação da imunidade se dá conforme o animal volta a receber uma alimentação de qualidade”, comentou o médico-veterinário Fabiano de Granville Ponce.

Em relação às doenças infectocontagiosas, o veterinário ressalta a importância da quarentena para observação e tratamento imediato caso o animal apresente doenças como cinomose, parvovirose ou, principalmente, leptospirose.

“É claro que, no cenário atual, não é possível oferecer o abrigo adequado para este período, mas a quarentena pode ser mantida, na medida do possível, no retorno para casa, lar temporário ou novo lar, no caso da adoção. Em casas com mais de um animal, o ideal é mantê-los em ambientes separados e fazer o acompanhamento mais frequente com um médico veterinário. Vale ressaltar que este tipo de cuidado é ideal em qualquer adoção ou aquisição de um pet, as medidas preventivas não devem, de forma nenhuma, desmotivar a adoção. Esses animais precisam de acolhimento e cada um pode colaborar de alguma forma”, alertou Ponce.

Adoção
Adotar um animal que passou por um período de vulnerabilidade e exposição a enchentes é uma atitude que exige comprometimento, pois o animal pode estar traumatizado e demorar para se familiarizar com o novo lar. Esse pet precisa de tratamento físico e emocional. 

Se houver outros animais na nova casa, a adaptação deve ser feita gradativamente assim que o pet adotado estiver liberado para interação com outros animais. O contato deve ser feito aos poucos, diariamente e com acompanhamento dos tutores, até que os animais possam ficar juntos sem brigar.

“Além da atenção à socialização, é fundamental oferecer uma dieta de qualidade, ambiente confortável e companhia dos tutores. Os cães, especialmente, gostam muito de pessoas, querem estar perto dos humanos mais tempo possível”, aconselhou o veterinário. 

Conhecer as particularidades das espécies é ainda mais importante nesses casos. Os felinos costumam ser mais desconfiados e ainda podem apresentar sinais de traumas, como medo de barulhos altos, maior necessidade de se refugiarem em lugares escuros e pequenos, agressividade ou dificuldade em usar caixas de areia. Com eles, a paciência vai fazer toda a diferença. É importante respeitar o tempo do gato, fazendo interações calmas, sem forçar que fiquem no colo ou expostos a outros animais enquanto ainda demonstrarem insegurança. 

 

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