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FIV e FeLV: falta de diagnóstico pode agravar cenário entre felinos; veja o que diz especialista

As doenças não têm cura, mas a identificação precoce pode ajudar na qualidade de vida dos animais

FIV e FELV são doenças causadas por retrovírus que atingem apenas gatosFIV e FELV são doenças causadas por retrovírus que atingem apenas gatos - Canva

Figurando entre os principais vilões da saúde dos gatos, a FIV (causada pelo Vírus da Imunodeficiência Felina) e a FeLV (conhecida como Leucemia Viral Felina) são doenças sem cura.

Por conta da gravidade atrelada a essas enfermidades, elas costumam assustar tutores e são até atreladas a algumas informações falsas. Para desmistificar a temática, o blog Folha Pet entrevistou a médica-veterinária especializada em gatos Samara Viana (@svrfelinos).

Samara Viana, mestre em medicina veterinária especializada em clínica médica de felinos - NOELIA BRITO FOTOGRAFIA
Samara Viana, mestre em medicina veterinária especializada em clínica médica de felinos | Foto: Noelia Brito Fotografia/Divulgação 

Embora sejam frequentemente mencionadas juntas, a FIV e a FeLV apresentam sintomas distintos. Em comum entre as duas está o fato de que gatos diagnosticados com essas doenças não podem conviver com gatos saudáveis, pois elas são altamente contagiosas. Humanos ou outros animais não são ameaçados.

FIV
A FIV é comumente comparada ao HIV humano, agindo de forma progressiva no sistema de defesa do animal. Segundo a médica-veterinária, a doença pode ser silenciosa por muito tempo.

“A FIV tem essa semelhança de causar como se fosse uma imunodeficiência. Os pacientes tendem a ter complicações ao longo da vida, mas muito a longo prazo. São pacientes que, bem manejados, com bom acompanhamento médico, acabam vivendo muito bem”, explicou. 

O contágio pela FIV ocorre, principalmente, por meio de mordidas profundas, através das quais há troca de saliva com sangue, ou por contato sexual, sendo mais comum em gatos que vivem nas ruas ou em ambientes de disputa territorial.

Na FIV, os sintomas são menos específicos, podendo envolver prostração (fraqueza e exaustão) e dificuldades em responder a tratamentos comuns.

FeLV
A FeLV é considerada mais severa e complexa, dividindo-se em diferentes manifestações clínicas:

A transmissão da FeLV é mais fácil, sendo via oral: “Aquele paciente que tem acesso a ambiente sanitário contaminado do outro, aquele paciente que tem um contato muito íntimo com outro de ficar se lambendo, deitar juntinho, eles acabam pegando”. 

Entre os sintomas mais comuns da FeLV estão a apatia e anemias graves que muitas vezes exigem transfusões de sangue.

Diagnóstico e prevenção
Segundo Samara, o diagnóstico precoce é o fator determinante para a longevidade dos pacientes em ambas as doenças: “Quanto antes você fizer o diagnóstico, maior a expectativa de vida que você consegue conferir para esse paciente”.

Tanto para FIV quanto para FeLV, existem testes rápidos que podem ser feitos em clínicas veterinárias. 

“Nem a FIV, nem a FeLV têm tratamento, tá? Não têm cura. O que elas têm, na verdade, é o processo de acompanhamento do paciente, é manutenção de qualidade de vida”, alertou a veterinária. 

Ela recomenda que mesmo gatos diagnosticados, mas assintomáticos sejam avaliados pelo menos duas vezes por ano para evitar surpresas com oscilações virais.

A prevenção continua sendo o método mais eficaz de combate à disseminação desses retrovírus. Para a FeLV, existe a opção de vacinação, como a vacina quíntupla (V5).

Para a FIV, no entanto, ainda não há vacina disponível, o que torna o manejo ambiental ainda mais crucial. A castração e a manutenção dos gatos em ambientes internos, sem acesso à rua, são estratégias vitais para reduzir brigas e contatos de risco.

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