FIV e FeLV: falta de diagnóstico pode agravar cenário entre felinos; veja o que diz especialista
As doenças não têm cura, mas a identificação precoce pode ajudar na qualidade de vida dos animais
Figurando entre os principais vilões da saúde dos gatos, a FIV (causada pelo Vírus da Imunodeficiência Felina) e a FeLV (conhecida como Leucemia Viral Felina) são doenças sem cura.
Por conta da gravidade atrelada a essas enfermidades, elas costumam assustar tutores e são até atreladas a algumas informações falsas. Para desmistificar a temática, o blog Folha Pet entrevistou a médica-veterinária especializada em gatos Samara Viana (@svrfelinos).

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Embora sejam frequentemente mencionadas juntas, a FIV e a FeLV apresentam sintomas distintos. Em comum entre as duas está o fato de que gatos diagnosticados com essas doenças não podem conviver com gatos saudáveis, pois elas são altamente contagiosas. Humanos ou outros animais não são ameaçados.
FIV
A FIV é comumente comparada ao HIV humano, agindo de forma progressiva no sistema de defesa do animal. Segundo a médica-veterinária, a doença pode ser silenciosa por muito tempo.
“A FIV tem essa semelhança de causar como se fosse uma imunodeficiência. Os pacientes tendem a ter complicações ao longo da vida, mas muito a longo prazo. São pacientes que, bem manejados, com bom acompanhamento médico, acabam vivendo muito bem”, explicou.
O contágio pela FIV ocorre, principalmente, por meio de mordidas profundas, através das quais há troca de saliva com sangue, ou por contato sexual, sendo mais comum em gatos que vivem nas ruas ou em ambientes de disputa territorial.
Na FIV, os sintomas são menos específicos, podendo envolver prostração (fraqueza e exaustão) e dificuldades em responder a tratamentos comuns.
FeLV
A FeLV é considerada mais severa e complexa, dividindo-se em diferentes manifestações clínicas:
- FeLV Progressiva: é a forma mais grave, e o gato apresenta sintomas claros. “São os pacientes que mais têm sintoma e menos têm expectativa de vida”, afirmou Samara. Os quadros comuns incluem “anemias recidivantes com baixa resposta terapêutica”, que podem exigir transfusões, e o surgimento de linfomas (câncer do sistema linfático).
- FeLV Regressiva: ocorre quando o organismo do gato consegue conter a replicação viral. “É como se ele tivesse o vírus, mas ele tivesse adormecido”. Esses pacientes podem viver muitos anos, chegando aos 15 ou 17 anos com bom acompanhamento.
- FeLV Abortiva: no quadro abortivo, o organismo debela a doença e o vírus não é encontrado nem em testes
- FeLV Focal: quando a FeLV é focal, o vírus se esconde em órgãos específicos, como a medula óssea, por exemplo. “Ela é focalmente infectante, não está na corrente sanguínea, então não é fácil de fechar diagnóstico dela por teste rápido”, explicou Samara.
A transmissão da FeLV é mais fácil, sendo via oral: “Aquele paciente que tem acesso a ambiente sanitário contaminado do outro, aquele paciente que tem um contato muito íntimo com outro de ficar se lambendo, deitar juntinho, eles acabam pegando”.
Entre os sintomas mais comuns da FeLV estão a apatia e anemias graves que muitas vezes exigem transfusões de sangue.
Diagnóstico e prevenção
Segundo Samara, o diagnóstico precoce é o fator determinante para a longevidade dos pacientes em ambas as doenças: “Quanto antes você fizer o diagnóstico, maior a expectativa de vida que você consegue conferir para esse paciente”.
Tanto para FIV quanto para FeLV, existem testes rápidos que podem ser feitos em clínicas veterinárias.
“Nem a FIV, nem a FeLV têm tratamento, tá? Não têm cura. O que elas têm, na verdade, é o processo de acompanhamento do paciente, é manutenção de qualidade de vida”, alertou a veterinária.
Ela recomenda que mesmo gatos diagnosticados, mas assintomáticos sejam avaliados pelo menos duas vezes por ano para evitar surpresas com oscilações virais.
A prevenção continua sendo o método mais eficaz de combate à disseminação desses retrovírus. Para a FeLV, existe a opção de vacinação, como a vacina quíntupla (V5).
Para a FIV, no entanto, ainda não há vacina disponível, o que torna o manejo ambiental ainda mais crucial. A castração e a manutenção dos gatos em ambientes internos, sem acesso à rua, são estratégias vitais para reduzir brigas e contatos de risco.



