Nem tão resistente quanto pensam: entenda mais sobre o mito da alta imunidade dos vira-latas

Nesta segunda-feira (31), é comemorado o Dia Nacional do Vira-lata

Aurora, cadelinha SRD - Katarina Bandeira / Cortesia

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Os vira-latas ou pets Sem Raça Definida (SRD) são comumente associados a uma maior resistência a doenças. A variação genética faz seu trabalho no quesito de gerar animais mais fortes, contudo a imunidade do pet não é maior por conta da sua "mistura de raças" e, sim, devido a sua maior exposição às ruas. Ao nascer, o cãozinho que sobrevive após ser exposto a diversas intempéries e aos diversos perigos da rua ganha reforço na sua imunidade e maior resistência a doenças que podem causar maior risco à saúde de cães que não passaram pelas mesmas experiências. 

A diretora do Hospital Veterinário do Recife (HVR), Maria Alice D'Almeida, explicou que a maioria dos cães SRD que possuem uma imunidade mais reforçada é por conta da experiência de ter vivido na rua. 

"Por eles terem passado pelo desafio de nascer na rua, em contato com vários patógenos, o organismo do pet vai ficando mais resistente. Como ele fica muito tempo na rua, ele adquiriu anticorpos que animais que não têm tanto acesso à rua não possuem", explicou. 

Contudo, se o animal sai da rua, ele precisa do mesmo cuidado que se daria a um cão ou gato de raça - é um mito pensar que animais SRD são menos suscetiveis a doenças.

"O animal não nasce mais resistente, é tudo o desafio do sistema imunológico dele. Se você tirou aquele animal da rua, você tem que vacinar, levar no veterinário, vermifugar, como qualquer animal", explicou Maria Alice D'Almeida. 

Aurora, cadelinha SRD tutorada por Katarina Bandeira, é um exemplo de vira-lata com imunidade baixa: possui alergia a insetos. 

"Quando filhote, Aurora não apresentava nada, nenhum sintoma. Foi após o primeiro cio, quando - de acordo com a veterinária dela - ocorre uma baixa na imunidade da cadela, que ela começou a apresentar vermelhidão na pele, queda de pelo e inchaço, além de muita coceira. No começo, a gente achou que ia passar, mas à medida que foi ficando pior, começamos a procurar ajuda veterinária. Acho que passamos por uns três veterinários antes de descobrir realmente o que ela tinha. Afinal, por causa dessa lenda de que vira-lata não tem doença, ninguém poderia imaginar que a cachorra seria alérgica a insetos", explicou Katarina. 

Aurora em tratamento veterinárioAurora em tratamento veterinário

Apesar de ter nascido na rua, Aurora chegou na casa de seus tutores atuais com apenas um mês. Daí em diante, sua vida foi dentro de casa, sem muitas exposições ou riscos. 

Esse cuidado que foi tomado por seus tutores, mesmo sem saber da doença da cadelinha, acabou por salvar a vida de Aurora, que poderia ter morrido se sua alergia tivesse se manifestado com ela vivendo em situação de rua.   

"Hoje, a situação dela tá bem mais controlada. Buscamos todo tipo de tratamento. A veterinária dela é especialista em cachorros com problema de pele, a gente sabe os remédios que precisa dar em caso de emergência (e temos uma farmacinha pra ela)", contou a tutora. 

 

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