Outubro Rosa Pet: campanha alerta para a prevenção contra o câncer de mama

Fêmeas são as mais afetadas, por conta dos fatores hormonais, mas os cães e gatos não estão imunes - Hugo Carvalho/Folha de Pernambuco

No Brasil e em boa parte do mundo, outubro é o mês da campanha de conscientização sobre a importância da prevenção contra o câncer de mama. Os pets também são vulneráveis à doença, por isso, o Outubro Rosa Pet objetiva atrair a atenção dos tutores para esse assunto tão sensível. As fêmeas têm mais predisposição a desenvolver tumores nas mamas, mas os machos também podem ser afetados. 

O que é? 
O câncer de mama é uma formação tumoral de natureza maligna que se desenvolve na região das mamas, podendo afetar uma mama ou toda a cadeia mamária do animal. Por isso, a importância do diagnóstico precoce, a fim de evitar o espalhamento da lesão, o que dificulta o tratamento e reduz as chances de cura.

Embora outubro seja o mês símbolo da prevenção, os tutores devem, frequentemente, fazer exames de palpação ao longo das cadeias mamárias dos seus pets, no intuito de identificar qualquer sinal de anormalidade. As alterações visíveis mais comuns no corpo são vermelhidão, secreção nas mamas e formações nodulares. Além disso, o animal pode apresentar também febre, apatia, fastio e sinais de desconforto ou dor na região mamária. 

Diagnóstico 
Ao notar qualquer sinal suspeito, o tutor deve procurar um médico veterinário para avaliar o pet e solicitar os exames necessários. “Através do raio-x, podemos ver se a lesão está localizada em uma mama ou se espalhou pela cadeia, por exemplo. Isso é importante para determinar como será o tratamento, incluindo a área de abordagem cirúrgica”, explica a médica veterinária Camilly Gonçalves.

Outros exames imprescindíveis são as biópsias, a fim de identificar a natureza do tumor, se benigno ou maligno. O histopatológico é considerado o exame “padrão ouro”, pela precisão no diagnóstico.

No caso das lesões benignas, a cirurgia é suficiente. As malignas, contudo, podem ter condutas terapêuticas diferentes, com quimioterapia, radioterapia, entre outras possibilidades, a depender do tipo e do tamanho do tumor e do espalhamento da lesão pelo corpo.

Foi o diagnóstico precoce que ajudou a salvar a vida de Bilka, poodle de sete anos da professora Priscila Soares. Com o isolamento social mais rígido por causa da Covid-19, Bilka passou a tomar banho em casa. Em um desses momentos, Priscila percebeu a presença de um nódulo e não perdeu tempo.

Bilka, PoodleBilka, de sete anos, passou por cirurgia e venceu a doença. Foto: Acervo pessoal

"Procurei a veterinária dela, que pediu para tirarmos o nódulo para checar. Foi quando detectou que era maligno. Ela orientou a castração, que é muito importante para evitar esse tipo de tumor, e já marcamos a cirurgia. Logo depois, percebemos o surgimento de outros nódulos, então a opção foi retirar toda a cadeira mamária comprometida e, graças a Deus, ela está novinha em folha”, conta a tutora, revelando que a cadela sofria constantemente com gravidez psicológica após os períodos de cio. Bilka vai esperar uns meses e depois retirar a outra cadeia mamária, como forma de prevenção. 

Elas são as mais vulneráveis 
As fêmeas, devido às questões hormonais, concentram a maior parte dos casos de câncer de mama entre os pets. Um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doença neoplásica é o uso de anticoncepcionais administrados por via oral ou injetável para inibir o cio. Esse recurso, embora contestado pela maioria dos médicos veterinários por conta das consequências graves que pode causar no organismo, ainda é mais utilizado do que se imagina. A facilidade para a compra, inclusive, é um grande problema. 

O ideal para evitar a reprodução indesejada é a castração, que, por sinal, é uma aliada na prevenção ao câncer de mama. O procedimento evita também o desenvolvimento de gravidez psicológica, como aconteceu diversas vezes com Bilka, que mexe bastante com os hormônios de cadelas e gatas. É consenso entre os médicos veterinários que fêmeas castradas ainda no início da vida têm menos chance de desenvolver tumores malignos nas mamas. 

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Fatores de risco 
Além da questão hormonal, o sedentarismo e a idade podem influenciar no surgimento desses tumores. Em geral, as cadelas acometidas pela doença têm entre sete e 12 anos, enquanto nas gatas as neoplasias são mais frequentes entre os 10 e 11 anos de idade.

A obesidade é outro fator de risco, uma vez que a gordura é uma inflamação no organismo. Fora isso, algumas raças têm mais predisposição para desenvolver neoplasias de uma forma geral, sendo a mais suscetível delas a boxer, por questões genéticas. 

Gato gordoObesidade é um dos fatores de risco para o desenvolvimento de tumores. Foto: Fallcat/Pixabay

O tipo da alimentação também merece atenção. Comidas caseiras feitas sem orientação, usando condimentos impróprios e/ou sem o balanceamento nutritivo adequado, podem causar desequilíbrio orgânico.

“Rações com maior palatabilidade, ou seja, mais difíceis de os animais rejeitarem, costumam ter mais corantes e conservantes. E isso, assim como na alimentação humana, também contribui para o surgimento de tumores”, alerta Camilly.   

Terapias complementares 
Nos últimos anos, devido aos benefícios comprovados, a acupuntura tornou-se uma coadjuvante de luxo no tratamento de diversas patologias. No caso das neoplasias, é possível reduzir dores e equilibrar o organismo do paciente para receber melhor os tratamentos, aumentando não só a imunidade, mas diminuindo efeitos colaterais.

A acupunturista veterinária Aline Brasilino aponta ainda para o uso de uma homeopatia que pode ser ministrada via oral ou injetável, nos pontos da acupuntura, a Viscum Album. 

Acupuntura veterináriaAcupuntura, segundo Aline Brasilino, ajuda a reforçar o organismo durante tratamento. Foto: Reprodução/Instagram

“É possível trabalhar as práticas integrativas e também a fitoterapia chinesa, como o uso do Ganoderma (cogumelo), por exemplo, tanto em forma capsular, quanto em chá”, pontua, acrescentando ainda a diferença que um acompanhamento alimentar pode fazer. “Na parte oncológica, optamos pela dietoterapia cetogênica, aumentando o consumo de proteínas e diminuindo a ingestão de carboidratos e derivados do leite, uma vez que o câncer se alimenta de açúcar.”

É importante ressaltar que todas as terapias complementares devem ser administradas por um médico veterinário, pois devem atender às necessidades de cada animal.