Qua, 10 de Junho

Logo Folha de Pernambuco
Folha Pet

Passeios vão muito além do fazer xixi

Um dos impactos mais surpreendentes ocorre diretamente na estrutura cerebral dos animais

Durante a caminhada, o organismo do cão libera substâncias que trazem sensações de calma e bem-estarDurante a caminhada, o organismo do cão libera substâncias que trazem sensações de calma e bem-estar - Canva

O ato de passear com um cãozinho é frequentemente visto apenas como uma necessidade fisiológica do pet, um breve intervalo na rotina doméstica para que ele possa se aliviar. No entanto, a ciência moderna revela que essa atividade é, na verdade, um dos pilares mais robustos para a preservação da saúde física e mental, tanto dos animais quanto de seus tutores. Quando colocamos a coleira em nossos companheiros, estamos ativando um complexo sistema de benefícios biológicos que vai muito além do simples gasto de energia calórica. 
No mercado, são encontradas opções para que os animais consigam “usar o banheiro” em casa, mas a facilidade não deve ser usada como via de regra. Um pet que não passeia tem impactos negativos na saúde.  

Um dos impactos mais surpreendentes ocorre diretamente na estrutura cerebral dos animais. Segundo um estudo da Universidade de Washington, que analisou mais de 15.000 cães através do Dog Aging Project, a inatividade física é um fator de risco crítico para o desenvolvimento da síndrome de disfunção cognitiva canina, equivalente ao Alzheimer em humanos.  

Os dados mostram que cães sedentários têm 6,5 vezes mais chances de desenvolver essa forma de demência do que cães ativos da mesma idade. 

O movimento corporal estimula a liberação de uma proteína vital chamada fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), que promove o crescimento de novas células cerebrais e o nascimento de novos neurônios no hipocampo, a área responsável pelo aprendizado e pela memória.  

Além disso, a atividade física regular aumenta o suprimento de sangue para o cérebro, garantindo que o órgão permaneça saudável e funcional por mais tempo. 
Do ponto de vista emocional, o passeio funciona como um poderoso regulador de humor. De acordo com pesquisas apresentadas pela Faculdade de Medicina da Penn State, o exercício físico tem a capacidade de melhorar o humor quase imediatamente, combatendo sintomas de condições como a ansiedade. Durante a caminhada, o organismo do cão reduz a produção de hormônios ligados ao estresse, como o cortisol e a epinefrina, ao mesmo tempo que libera substâncias como dopamina e serotonina, que trazem sensações de calma e bem-estar.  

Muito provavelmente, se você já passeou com um cãozinho, você sabe que eles voltam para casa com o melhor humor. Essa mudança foi relatada por alguns tutores que participaram da pesquisa. Os animais tendem a retornar para casa muito mais relaxados e bem-dispostos.

Tutores
Os benefícios físicos são igualmente vastos e abrangem todas as fases da vida. Um estudo da Universidade de Miami e da Universidade de Missouri, publicado no periódico Gerontologist, utilizou dados de um grande módulo experimental de interação humano-animal para demonstrar que o passeio com cães está associado a indicadores de saúde superiores em adultos mais velhos. Os participantes que caminhavam regularmente com seus cães apresentaram um Índice de Massa Corporal (IMC) mais baixo, menos limitações em atividades da vida diária e um número significativamente menor de visitas ao médico. 

Além disso, esses indivíduos tendem a praticar exercícios moderados e vigorosos com mais frequência, o que ajuda a prevenir doenças crônicas como diabetes, problemas cardiovasculares e obesidade — problemas que, segundo dados do Ministério da Saúde, afetam uma parcela crescente da população sedentária. 

Para os tutores, o cão atua como um "aliado direto" na luta contra o sedentarismo. Especialistas formados pela PUC-PR e pela UDESC, em colaboração com diretrizes de saúde pública, destacam que a rotina de passeios cria um compromisso que dificulta o adiamento da atividade física.  
 

Veja também

Newsletter