Pensando em ter cão e gato no mesmo teto? Confira algumas dicas para que a adaptação seja mais fácil
Animais, como um todo, são territorialistas. O comportamento de cada espécie pode ser um entrave
Por mais que sejamos ensinados a acreditar que cães e gatos se odeiam, a realidade não é bem assim. Os animais, independentemente da espécie, possuem comportamentos distintos e, se forem adultos, possuem probabilidade de rejeitar qualquer um que “ameace” o convívio familiar.
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O segredo para uma adaptação de sucesso entre cão e gato não reside na sorte, mas em fatores como a idade de introdução, a ordem de chegada ao lar e na apresentação gradual entre os eles.
Filhotes tendem a se adaptar com mais facilidade, mas adultos também podem desenvolver relações estáveis quando a aproximação respeita o tempo de cada um. Segundo a médica-veterinária Danielle Rito (@fisiovetdaniellerito_), do Plantão Hospital Veterinário 24h da Madalena, o erro mais comum dos tutores é promover encontros diretos e imediatos.
“A adaptação, seja ela entre cão/ cão ; gato/ gato ou cão/gato exige paciência, introdução gradual e supervisão. Inicialmente deve-se manter separados, trocando cheiros por dias, colocando cobertor e brinquedos um do outro para cheirar em ambientes separados. Depois trocá-los de ambiente, para que sintam ainda mais um o ambiente do outro”, explicou a médica-veterinária.
Se, com essas etapas cumpridas, o pet ficar confortável no ambiente com o cheiro do outro, é possível partir para a fase visual do encontro. Para garantir que os animais não se machuquem, é importante que eles sejam apresentados inicialmente separados por uma grade ou até cada um em uma caixa de transporte. Essa fase garante uma adaptação com a presença do outro.
É importante que o tutor respeite as reações dos animais na hora de passar para a próxima fase de introdução. Pode ser que o pet reaja naturalmente com dias, mas também pode ser que ele leve semanas para parar de reagir de forma reativa ao outro morador.
“O oferecimento de petiscos como forma de recompensa por estar se comportando é importante”, recomendou Danielle.
Após a apresentação visual, o tutor pode seguir para a aproximação supervisionada, com o uso de coleira em cada animal e com uma distância segura. Quando essa etapa for superada sem reações negativas, o tutor pode alimentar os animais no mesmo ambiente, presos em coleira e com distância segura no começo e sem coleira com o avanço da convivência pacífica.
“O tutor precisa ter, acima de tudo paciência e calma. Porque o tempo quem vai definir são eles, a cada progresso avança uma etapa. O tutor não deve nunca forçar a interação”, alertou a médica-veterinária.
Convivência forte
Surpreendentemente, pesquisas mostram que, com o tempo e a convivência, pets de diferentes espécies passam a compreender as posturas de cada um e dividem o teto de forma amorosa.
Na Itália, uma pesquisa realizada pelas Universidades de Perugia e de Pisa observou que a maioria dos cães e gatos que moram na mesma casa dorme junta, pelo menos ocasionalmente (68,5%), e brincam entre si (62,4%).
As interações, no entanto, tendem a seguir padrões específicos: cães costumam ter uma abordagem mais ativa, como lamber o gato, enquanto os felinos tendem a ignorar o cão com mais frequência.
No Japão, a Universidade de Osaka reforça essa visão de harmonia, revelando que a grande maioria dos tutores percebe seus animais confortáveis na presença um do outro: aproximadamente 79,8% dos cães e 76,7% dos gatos demonstram esse bem-estar mútuo. Essa convivência pacífica é evidenciada pela rotina diária, na qual a maior parte dos pares compartilha o mesmo cômodo todos os dias.
Além disso, a pesquisa destacou que episódios de conflito grave são raros, com baixas taxas de ferimentos relatadas, sugerindo que a relação é baseada mais na tolerância e integração do que em disputas. Pesquisadores japoneses reforçam que a amizade entre as espécies é fortalecida por atividades positivas compartilhadas, como brincar e dormir juntos, além da proximidade física durante as refeições, que servem como indicadores cruciais de uma relação amigável e estável no ambiente doméstico.



