Quarentena rendeu quilos extras para os pets. E isso não é bom

Alimentação deve ser balenceada de acordo com o porte do animal, pois o sobrepeso pode prejudicar a saúde e até diminuir a expectativa de vida - Foto: Alexas Fotos/Pixabay

Com o isolamento social mais rígido por conta da pandemia da Covid-19, muitas pessoas andam se queixando que ganharam uns quilinhos, fruto de mais tempo em casa, níveis elevados de ansiedade e estresse e redução nas atividades físicas. Mas isso não é exclusividade dos humanos. O convívio mais intenso com os tutores e as restrições no ir e vir também causaram mudanças na rotina dos pets. E muitos, assim como seus donos, estão registrando dígitos mais elevados na balança. 

“Os animais começaram a ter mais contato com a hora da alimentação dos tutores e, como estão participando daquele momento, é mais fácil pedirem. Quando não tem quarentena, muitas pessoas fazem refeições e lanches fora. Agora, os pets estão tendo mais tempo para barganhar. A tendência é que o proprietário acabe dando, até porque muitos animais passaram a passear menos, então o tutor faz um tipo de compensação”, explicou a médica veterinária Aline Brasilino. 

É importante, no entanto, estar atento aos limites, pois, assim como nos humanos, o sobrepeso afeta a qualidade de vida e a longevidade dos cães e gatos. Eles podem desenvolver alterações cardíacas e respiratórias, além de problemas renais, hepáticos, diabetes, entre outros. 

Isso sem falar nos prejuízos ortopédicos, uma vez que o peso acima do adequado para a estrutura pode causar danos à coluna e às articulações. Animais idosos sofrem ainda mais. Muitos já enfrentam artrite e artrose, e o sobrepeso torna mais difícil a locomoção. "Fora que a gordura é um processo inflamatório, então afeta na qualidade de vida como um todo”, alertou Aline Brasilino. 

Segundo ela, os gatos, embora mais sonolentos, ainda têm uma rotina ativa por conta própria, o instinto de explorar o ambiente, enquanto os cães geralmente precisam de estímulos para se mexer. Além disso, apesar de existirem felinos bons de boca, a tendência é que eles sejam mais seletivos do que os caninos, que, por “paparem tudo", acabam tendo mais facilidade de engordar. 

Bono, o beagle da engenheira civil Brenda Layme, é um desses pets que não recusa um lanchinho. Frutas, petiscos, biscoitos, ração... Com ele não tem tempo ruim. Bono está com 11 meses e, durante esse período, poucas vezes foi à rua. Primeiro, cumpriu o protocolo inicial de vacinação, aguardando três meses até ser liberado para passear em ambientes externos. Pouco tempo após ganhar a “alforria”, veio a pandemia e mais uma restrição. 

Bono, de 11 meses, passou a lanchar mais com a presença dos tutores em casa. 

Para entreter Bono, Brenda apostou em brincadeiras, lições de adestramento e brinquedos interativos. E tudo isso está diretamente ligado à oferta de petiscos como recompensa. Fora que ela e o marido passaram a trabalhar em home office e ganharam a companhia ilustre do pet a cada lanche. 

“Ele está quase perdendo a cinturinha. Tudo ele quer. Estava comendo frutas umas cinco vezes ao dia, fora as refeições dele e os biscoitos sempre que faz as necessidades no tapetinho. A veterinária alertou e agora estamos controlando”, disse a tutora. Bono está próximo dos 18kg, cerca de cinco quilos a mais do que o indicado para o porte dele, segundo a veterinária que o acompanha, Manuela Passos. 

Bono, Beagle de 11 mesesPerda da "cintura" é um dos sinais de que o pet está acima do peso ideal 

“Bono não vem passeando, por conta do isolamento, e tem ficado muito tempo com os tutores, exigindo mais atenção, o que resulta em comida em excesso. Acaba não havendo um balanceamento energético correto. E Beagle é uma raça que tem tendência a engordar”, explicou a especialista. Além dos beagles, Labrador, Pug, Dachshund, Basset, Buldogue Inglês e Golden Retriever foram outras raças citadas por ela nesse grupo mais propenso a ganhar peso. 

Assim como Bono, fastio também passa longe de Flock, o gato siamês do tosador Gilson José dos Santos. E, com a família em casa durante a quarentena, o felino entrou para o grupo dos obesos. “Ele só come ração. Se você colocar outra coisa, ele não come. Mas pede a ração o tempo todo. Você coloca, ele come. Daqui a pouco, vem se esfregando pedindo mais”, comentou o tutor. 

FlockFlock só come ração, porém pede para abastecerem o pratinho a toda hora 

Flock tem três anos e, mesmo sendo conhecido na rua onde mora, em Piedade, no Jaboatão dos Guararapes, por caminhar bastante durante o dia, o gasto não tem sido suficiente para queimar a quantidade de calorias que vem sendo ingerida. “Ele sempre foi gordinho, mas ganhou bem mais peso nos últimos meses”, revelou Gilson.   

O caminho inverso, de emagrecimento, requer paciência e disciplina. Para quem notou o pet mais rechonchudo, o ideal é procurar o médico veterinário que o acompanha para que seja elaborada uma dieta específica para o porte dele, seja com ração ou alimentação natural, respeitando as porções e intervalos estipulados. Além disso, o profissional poderá indicar opções menos calóricas para os lanches, como frutas e vegetais adequados para o pet, e atividades que irão ajudar a queimar os quilinhos extras.