Abrir mão de mandato pode ser fator de unidade na Oposição em PE

Miguel Coelho e Anderson Ferreira foram à mesa em Brasília nesta quarta (05)

Não foi por acaso que os prefeitos Anderson Ferreira (Jaboatão) e Miguel Coelho (Petrolina) incorreram num encontro de agendas em Brasília ontem. Anderson chegou à Capital Federal na noite da última terça-feira e retorna na manhã de hoje a Pernambuco. O dia de ontem foi de peregrinação em ministérios, assim como o de Miguel, mas ambos decidiram reservar uma brecha para sinalizarem unidade no campo das Oposições. À revelia deles, circulam comparações entre o racha verificado nesse campo em 2020 e as articulações em curso hoje. Há uma variável no cenário, no entanto, que tem feito os integrantes desse conjunto projetarem uma unidade mais viável de ser alcançada desta vez: a necessidade de abdicar do mandato. Em outras palavras, o movimento de deixar o mandato tem sido apontado como algo que pode até exigir mais energia, agora, de cada um dos cotados para concorrer ao Governo do Estado do que uma briga por quem seria o cabeça de chapa. Leia-se: a decisão de concorrer ao Palácio das Princesas pode implicar num intervalo de quatro anos e oito meses sem mandato. E é isso que está em jogo. O cálculo tem sido feito assim: quem for concorrer terá que renunciar em abril de 2021, segundo a legislação eleitoral, e isso já abre um período de oito meses, até dezembro do ano que vem, sem mandato. Na hipótese de uma derrota, não será possível encabeçar chapa majoritária em 2024.

Ainda que algum deles mudem de domicílio eleitoral, o STF já se posicionou, vedando o prefeito itinerante. Assim, a solução seria aguardar até 2026. É um risco a ser assumido. Nas oposições, isso tem sido definido como "preço alto a se pagar". E é esse fator que pode interferir no calibre das costuras de forma diferente. Essa lógica vale para Anderson, para Miguel ou para Raquel Lyra (Caruaru). Todos eles já foram reeleitos. Ontem, em Brasília, Miguel e Anderson, ambos com nomes cotados para concorrer ao Palácio das Princesas, conversaram nas presenças ainda do senador Fernando Bezerra Coelho e dos deputados federais André Ferreira e Fernando Filho. Na semana passada, se deu uma espécie de prévia desse encontro, quando André Ferreira foi à mesa com FBC. Ontem, a conversa se deu no gabinete de Fernando Bezerra. Na fotografia, Anderson e Miguel apertaram as mãos num sinal de que o entendimento e a unidade pode ir se impondo, ainda que em função do tamanho do sacrifício imposto pela decisão.

 

Humberto: "Lula em PE é provável"
O senador Humberto Costa, que esteve com o ex-presidente Lula em Brasília nos últimos dias, à coluna, considera "muito provável" uma visita do líder-mor do PT a Pernambuco. "Minha opinião é que acho que vai acontecer. Mas não agora em maio. Não sei se vai ser antes de a conversa com o PSB caminhar", pondera o senador, sublinhando que não haverá nada que gere aglomeração.

Até 2022 > Os deputados federais Augusto Coutinho e Wolney Queiroz foram reeleitos, ontem, para coordenarem juntos a bancada de Pernambuco na Câmara Federal por mais um ano. Entre 2019 e 2021, os deputados do Estado atingiram um volume de mais de R$ 650 milhões em emendas impositivas de bancada. Desse montante, R$ 270 milhões são referentes a este ano.

Assistência > Secretário de Desenvolvimento Social, Sileno Guedes se reuniu virtualmente com gestores municipais de assistência social para detalhar o repasse de R$ 8 milhões que o Estado fará aos municípios. O valor, ele explicou, teve incremento de 160% nos últimos dois anos, em contraponto à fragilidade do SUAS no âmbito federal. “As parcelas de cofinanciamento previstas para 2021 tiveram corte que gira entre 50% e 60%”, criticou.

 

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