Adeus a Severino, das vitórias para Mesa, do apoio a Nardes

Severino Cavalcanti faleceu nesta quarta-feira (15) aos 89 anos - Arthur Mota

Presidente estadual do PP, o deputado federal Eduardo da Fonte seguiu para João Alfredo, na tarde de ontem, para acompanhar o cortejo, realizado na cidade, seguido do sepultamento do ex-presidente da Câmara Federal, Severino Cavalcanti. Eduardo assumiu o comando do partido no Estado, em 2008, sucedendo, naquele ano, Severino, com quem teve convivência intensa. "Era a pessoa de maior disposição política que conheci até hoje. Se chamasse ele para ir até Exu, ele ia. Se tivesse que voltar para Araripina e voltar para Exu, ele não se incomodava", recorda o parlamentar, relatando que Severino Cavalcanti saiu de João Alfredo como retirante, ganhou a vida em São Paulo como comerciante de relógios e joias e, quando retornou a Pernambuco, foi para ser prefeito de João Alfredo. Comandou a cidade por duas vezes. Ao ser eleito na segunda (2008), deixou o comando da legenda. Eduardo assumiu, mas Severino seguia como presidente de honra. Diante da notícia de que Severino faleceu ontem, aos 89 anos, Eduardo, à coluna, lembrou de momentos anteriores, nos quais o ex-prefeito enfrentou alguns problemas duros de saúde e resistiu. "Eu estava em Brasília com Zé Maurício (herdeiro de Severino) e Severino, e o médico disse que ele tinha que fazer um transplante de coração. Ele foi para São Paulo na UTI aérea e, quando chegou lá, colocou marcapasso, trocou uma válvula e se recuperou", narrou Eduardo, citando o episódio de cerca de 18 anos atrás. "Outra vez, uns 20 anos atrás, ele pegou uma infecção numa viagem para China, ficou na UTI do Sírio Libanês, acompanhado por doutor David Uip (infectologista), ficou bem mal e reagiu", acrescenta Eduardo, se referindo à força do correligionário. Severino não só foi eleito presidente da Câmara, em 2005  -ano em que também renunciou em meio a denúncias relacionadas ao chamado mensalinho - como foi ainda 2º vice-presidente, 1º secretário, 2º secretário da Mesa. Apesar de ter sido carimbado como integrante do baixo clero, não foi sem larga capacidade de articulação que venceu todas as disputas para Mesa. Chegou a disputar vaga com o ex-deputado Augusto Nardes, que , posteriormente, foi eleito ministro do TCU, corte que integra até hoje, com apoio desse mesmo Severino. 

 

Controle Externo
Foi contando com apoio de Severino, então presidente da Câmara Federal, que o, então, deputado Augusto Nardes foi eleito ministro do TCU. À época, a vitória de Nardes, por 203 votos, foi lida como uma derrota do governo e do PT, que tinha José Pimentel (CE), no páreo, o qual obteve 137 votos na Câmara.

Meandros > Quinze anos depois, há quem argumente que Severino Cavalcanti foi eleito presidente da Câmara com apoio do DEM, mas que terminou aderindo ao governo Lula, motivo pelo qual, o mesmo DEM, então PFL, teria interesse que ele caísse. Parlamentares que acompanharam o episódio lembram que o deputado José Thomaz Nonô, do antigo PFL, chegou a assumir provisoriamente a presidência da Casa após a renúncia de Severino.

Torcida 1> Diante da "torcida" da oposição pela candidatura da deputada Marília Arraes à Prefeitura do Recife, o vereador João da Costa alerta: "Dividir o campo progressista facilitará a eleição para os postulantes bolsonaristas". O petista prega a união dos partidos de esquerda para vencer os aliados do presidente Jair Bolsonaro. 

Torcida 2 > "Por que os bolsonaristas, que tanto odeiam o PT, torcem por uma candidatura nossa? Porque isso divide nosso campo e, assim, fica mais fácil para eles ganharem. Nosso campo unido derrota o bolsonarismo. Se os bolsonaristas ganharem no Recife, farão a mesma política que está acabando com o País", arremata o petista.