Aos olhos de prefeitos, proibição do TRE-PE é "lockdown na eleição"

Leo Malafaia/Arquivo Folha

Ainda que inconformados, a palavra de ordem entre prefeitos do Estado, agora, é não comprar briga abertamente com a Justiça Eleitoral. Ao menos, essa é a regra que parece reger a maioria, segundo eles mesmos relatam nos bastidores. No "day after" da Resolução n. 372/2020, editada pelo TRE-PE, gestores municipais e candidatos acenderam o sinal amarelo. Mas evitam indisposição com a Justiça Eleitoral. Há iniciativas variadas de recursos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas, nas coxias, essas movimentações, em geral, têm sido atribuídas "a advogados ou representantes da sociedade civil".  No interior, a decisão do TRE-PE foi sentida de forma mais intensa devido à ausência, em grande parte dos municípios, de guias de rádio e de televisão. "Em muitos municípios, nem guia de rádio tem", assinala um prefeito em reserva. Como a coluna antecipou, a resolução do tribunal proibiu, em todo o estado, atos presenciais relacionados à campanha, causadores de aglomeração.

Isso inclui eventos em espaços abertos, semi-abertos ou no formato drive-in. Um dirigente partidário, à coluna, sacramenta: "Acabou a campanha! Vai ser por osmose agora, pela lei da inércia". A mesma fonte lamenta que isso represente "a negação do debate de ideias". Um outro gestor diz que a decisão "foi muito rigorosa" e argumenta: "Uma coisa é fazer protocolos serem cumpridos, outra é decretar um lockdown na eleição". Ontem, o ministro Tarcisio Vieira, do TSE, proferiu decisão em mandado de segurança impetrado pelo candidato à Prefeitura de Catende, José Rinaldo Fernandes, contra ato do TRE-PE. O ministro realçou "a excepcionalidade do momento em que está inserido o pleito" e o "diminuto período de campanha restante" para determinar ao TRE-PE que "proceda a uma periódica reavaliação do quadro". Em outras palavras, segue em vigor a proibição do TRE-PE, que passou a valer na última quinta-feira, a despeito de, em tese, aglomerações já serem, naturalmente, vedadas nos protocolos da pandemia, ainda que algumas campanhas eleitorais possam ter feito vista grossa para isso. Em condições normais de temperatura e pressão, não teria sido necessário adiar a data do pleito: o primeiro turno teria ocorrido em 4 de outubro.

Enquanto isso, no Recife...
Houve, na Capital, quem resumisse em duas palavras o novo estado de proibição de aglomerações na campanha: "golpe baixo". Para alguns, não restam dúvidas de que qualquer candidato que lidere pesquisas deve estar em posição mais confortável de agora em diante. No caso do Recife, quem figura à frente é João Campos. Entre aliados do socialista, prevalece um discurso de que a rua vai fazer muita falta dada à dinâmica e o perfil do candidato.

Tête-à-tête > "A campanha de João tem um efeito muito forte de presença. As pessoas reconhecem ele, reconhecem o apoio que ele recebe de determinada liderança local, seja vereador, líder comunitário ou algo parecido. A presença dele ao lado dessas pessoas retira dúvidas de quem cada vereador, líder, está apoiando", assinala uma fonte ligada ao socialista à coluna.

Na mosca > Nas oposições na Capital, há ainda quem veja como "desproporcional" a medida do TRE-PE. À coluna, um oposicionista, diz que a nova regra só tende a ajudar quem já lidera: "é na mosca!".

No Buggy > Coordenador da campanha da delegada Patrícia, Daniel Coelho não faz objeção à proibição do TRE-PE. "No nosso carro, vamos andar nós três (ele, a candidata e o vice, Leo Salazar) 
e vamos andar a cidade toda". Não vamos fazer carreata, nem desrespeitar nenhuma norma, mas vamos continuar falando com as pessoas, porque o povo nos bairros quer conversar, falar e dar apoio.

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